Nacional

Cultura exibe especial com cantora Elis Regina

Por Luiz Fernando Vianna | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Elis Regina, que faria 61 anos nesta sexta-feira, cantava muito. E falava também. “Elis, que Saudade...”, exibido às 20h hoje, na TV Cultura, prioriza essa segunda Elis. Falando, a Pimentinha também era fogo. O especial é uma combinação de imagens de dois programas feitos pela cantora na Cultura: um “MPB Especial” de 73 e um “Vox Populi” de 78.

No segundo, que predomina, Elis só fala, respondendo a perguntas gravadas de anônimos e conhecidos. No momento mais quente, ela ataca um dos entrevistadores, o presidente da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), Wilson Sandoli, que diz ser seu amigo, mas desqualifica sua luta por uma associação alternativa da classe. “Não sou sua amiga porque tenho muito bom gosto na escolha das minhas amizades”, começa ela, antes de vociferar contra seu adversário olhando sempre para a câmera. Mais Elis, difícil.

Elis ainda ataca as discotecas, símbolo da época, para ela, de música estrangeira de má qualidade. Ataca a TV comercial ao explicar por que aparece pouco: “Já me violentei o suficiente”. Ataca até alguns populares que a criticam. Mas se diverte quando um menino lhe pergunta se usa dentadura. E chora quando um morador de Brasilândia (zona norte de São Paulo) pede que ela faça um show na região.

Os poucos números musicais (“Ladeira da Preguiça”, “Atrás da Porta”) são do belíssimo especial de 73, que já saiu em DVD e que a Cultura exibirá na íntegra na sexta-feira, às 20h. Nesse programa, ela canta muito e bem, e fala da mesma forma. “Sou uma pessoa que não nasceu para viver em sociedade”, diz em um dos muitos momentos comoventes. Elis era fogo.

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