Calçadas com buracos ou cheias de mato. Praças precisando de capinação e jardinagem. Em alguns bairros, falta iluminação. Entulho e lixo acumulados. E nas praças que estão bem cuidadas, fontes e chafarizes abandonados destoam da paisagem. Entre os muitos problemas do município, esses pequenos detalhes são mais perceptíveis aos bauruenses por um motivo simples: deixam a cidade com um aspecto de abandono. E não é só por parte do poder público, mas também dos próprios moradores, que não limpam suas calçadas, nem seus terrenos.
Na semana passada, o estudante de administração Lucas Carvalho, 20 anos, mandou uma mensagem ao Jornal da Cidade criticando exatamente esse abandono. “Gosto muito de Bauru, mas estamos ficando para trás nesse aspecto”, observa. Para ele, cabe tanto à prefeitura quanto aos moradores a tarefa de cuidar da cidade. “Temos que parar de jogar lixo nas ruas. Por sua vez, a prefeitura alega que não tem verba, mas ‘cadê’ os mutirões?”, questiona.
Trabalhando ao lado de uma construção na quadra 2 da praça Rodrigues de Abreu, onde a calçada está toda esburacada e cheia de mato, a auxiliar administrativa Telma Carvalho Santana aponta que a cidade está precisando de mais atenção com o seu paisagismo. “São buracos, mato alto e mesmo com a varrição das ruas tem sujeira. Até entramos em contato com a prefeitura pedindo uma melhora no serviço”, conta.
Na praça Rui Barbosa, os canteiros estão bem cuidados, mas a fonte vazia destoa da paisagem.
Apesar de limpa, está toda grafitada (pichações) e, como não funciona mais, acaba diminuindo a beleza do local. Há dois anos morando em Bauru, a cozinheira Sandra Meira concorda. “Isso acaba deixando a praça menos bonita”, acredita.
Em outro ponto da cidade, na quadra 1 da rua Joaquim Egéa, Vila Cardia, um estabelecimento abandonado ao lado de quatro grandes seringueiras acumula lixo, entulho e ainda aumenta a insegurança do local. Íris Rodrigues Batista, frentista de um posto, lamenta os transtornos causados pelo abandono. “Isso deixa a cidade mais feia. Ainda tem o pessoal sem educação que joga lixo lá. Vive saindo rato e barata do terreno. Quanto às árvores, os galhos são um perigo para a rede elétrica”, afirma.
Até os cartões postais da cidade, como a avenida Nações Unidas e o Parque Vitória Régia, foram criticados pela população. No parque, a grama estava aparada ontem, mas em alguns pontos havia acúmulo de galhos e entulhos, onde a população aproveitou e jogou mais lixo. “Apesar de ter lugar bem pior, o Vitória Régia não está bem cuidado”, observa a propagandista Raquel Mara Ferreira. A poucos metros dali, na avenida Nações Unidas, o buraco feito para a retirada de um toco de árvore já está aberto há uma semana, cercado pela terra, restos de concreto e pedaços do eucalipto que foi cortado.
Matagais
Para o casal Marlei e Fábio Milhorim, moradores do Núcleo José Regino, zona leste, este não é o único exemplo de descaso. “A cidade está abandonada. O matagal para entrar no meu bairro é tanto que não existe calçada. O pessoal tem que andar pela rua. E como falta iluminação, à noite isso pode causar acidentes”, observa Marlei. Para Fábio, é preciso investir também em segurança. “Temos centros comunitários e quadras que estão abandonados. É um patrimônio que a pessoa não cuida”, afirma.
No Geisel, buracos nas ruas e calçadas cheias de montes de terra, são um verdadeiro transtorno. A auxiliar de enfermagem Eliana Nicomedis, moradora da rua Alziro Zarur, além de cuidar da casa, trabalha em dois empregos. A rotina não seria tão dura se ela não precisasse lavar as roupas da família duas vezes. “Os buracos da rua enchem de água e vira aquela lama. Os carros passam pelo buraco e jogam a lama por cima do muro, caindo bem em cima do meu varal”, conta.
Do outro lado da cidade, no Núcleo Mary Dota, uma calçada tomada pelo mato na rua Constantino Castilho esconde até o ponto de ônibus. Obrigadas a andar pelo meio da rua, as moradoras reclamam. “Realmente essa calçada está feia. E Bauru também está desleixada, com mato alto, lixo. Precisa mesmo de uma melhora no visual”, avalia
Ádma Modesto da Silva, que caminhava com a filha Haye Fernanda e a amiga Cristiane Pereira Bispo. Inconformado com o abandono, o estudante Vinícius Seabra, de apenas 11 anos, fez questão de dar seu depoimento. “Tem muita sujeira, lixo e água parada”, conta, apontando o terreno do outro lado do muro.