Internacional

Libanesa suspeita de envolvimento na morte de Hariri é achada ferida em cela

Folhapress
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São Paulo - A libanesa Rana Abdel Rahim Koleilat, 39 anos, acusada de ter aplicado golpes bancários de US$ 1,2 bilhão no Líbano e suspeita de envolvimento no atentado que matou o premiê libanês Rafik Hariri, foi encontrada com o pulso esquerdo ferido por volta das 7h30 de ontem na cela em que estava, na carceragem do 89.ºDP, no Morumbi (zona oeste de São Paulo).

Rana foi socorrida e levada para o pronto-socorro do Campo Limpo (zona sul de São Paulo), onde recebeu um curativo. Ela retornou à cela pouco depois. A polícia disse que o ferimento é superficial e foi feito por ela com um estilete, mas não explicou como a origem do objeto. A economista tomou dois pontos e foi liberada.

Um funcionário do hospital, que não quis se identificar, disse que o ferimento sangrava pouco. “Foi um charminho. Se quisesse, ela teria todas as condições de cortar o pulso”, disse o diretor do Departamento de Polícia Judiciária (Decap), delegado Antônio Chaves Martins Fontes. “O desespero com a perspectiva de ser mandada para o Líbano pode ter motivado essa suposta tentativa de suicídio”, disse Mauad. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, não há informações sobre como a libanesa se feriu.

Rana foi presa por ter tentado subornar os policiais que a encontraram, em um flat na zona norte da cidade. Ela foi localizada por meio de informações passadas por um denunciante anônimo que, segundo a polícia, falava com forte sotaque. Nas ligações, ele deu detalhes sobre o paradeiro dela. Ela teria oferecido US$ 200 mil em troca de sua liberdade.

Extradição

O Líbano enviou ontem ao Brasil o pedido de extradição da economista libanesa. O governo do Líbano solicitou que Rana seja mantida sob custódia até que o requerimento chegue pelas vias diplomáticas ao Brasil. O Itamaraty e a Embaixada do Líbano disseram que ainda desconhecem o pedido.

Apesar de não haver um acordo de extradição entre os dois países, o chanceler libanês, Fawzi Salloukh, afirmou que a suspeita de envolvimento de Rana no atentado que matou o premiê libanês Rafik Hariri pode facilitar o processo. Isso porque, segundo ele, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou a todos os países que auxiliem nos desdobramentos do caso da morte de Hariri.

O advogado da acusada, Victor Mauad, afirmou que vai contratar especialistas nessa área para evitar a extradição. “Tanto esse pedido quanto a prisão aqui no Brasil são ilegais”, disse.

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