Internacional

Ao se defender, Saddam elogia os insurgentes e pede resistência

Folhapress
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Bagdá - O julgamento do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein foi suspenso, ontem, até 5 de abril, depois da turbulenta primeira sessão em que Saddam foi ouvido formalmente. Ele discutiu com o juiz, elogiou a resistência dos insurgentes e pediu que os iraquianos se unissem “contra a invasão de americanos, sionistas e seus aliados, em vez de se matarem uns aos outros”.

Quando as declarações do ex-ditador se tornaram mais inflamadas, o juiz Raouf Abdel Rahman determinou a retirada dos jornalistas da sala e o corte da transmissão por televisão ou rádio do julgamento e exigiu que Saddam respondesse às acusações, sem fazer “discursos políticos”. Saddam lhe respondeu que ambos estavam naquele tribunal “por motivos políticos”.

Durante seu testemunho, fiel a um discurso que levou por escrito, Saddam disse que sua consciência lhe dizia que o “grande povo iraquiano” não tinha nada a ver com os últimos atentados e o incêndio de mesquitas no Iraque, episódio que piorou a violência sectária no país.

O juiz o interrompeu várias vezes, dizendo que aquilo não tinha nada a ver com seu julgamento. Saddam continuou a ler sua mensagem aos insurgentes. Foi interrompido novamente. “O senhor está diante de uma corte judicial, não em um comício político”, advertiu o juiz. E determinou que o restante da sessão se desenrolasse longe das câmeras e dos jornalistas. Em uma sessão de uma hora e meia a portas fechadas, Saddam disse que apenas queria o fim do “banho de sangue” no Iraque.

Processo

O ex-ditador e sete de seus principais assessores respondem pelo massacre de 143 xiitas e pelo seqüestro e a tortura de 400 famílias no vilarejo de Dujail, em 1982. A repressão aconteceu em resposta ao ataque contra o comboio que transportava o então ditador nos arredores de Dujail.

O julgamento por um tribunal especial iraquiano começou em outubro. Até ontem, Saddam não havia tido a possibilidade de responder às várias acusações e só tinha interrompido as sessões ao chamar o julgamento de “comédia”. Saddam não respondeu às acusações.

Quando o juiz lhe pediu que apenas respondesse pelo seu papel como chefe de Estado durante a repressão em 1982, Saddam respondeu: “Eu sou o chefe de Estado”. “Não, o senhor foi chefe de Estado, hoje é um réu diante de um tribunal”, retrucou o juiz.

Antes do depoimento de Saddam, quem se defendeu das acusações foi seu meio-irmão Barzan Ibrahim, que chefiava a Mukhabarat, agência do serviço secreto iraquiano, durante a repressão a Dujail. Ibrahim foi interrogado por três horas. Em sessões prévias, vários moradores de Dujail o acusaram de comandar pessoalmente as torturas dos prisioneiros na sede da Mukhabarat em Bagdá. O antigo líder iraquiano e seus aliados podem ser condenados à forca.

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