Marília – Márcio Antônio Condeli, 40 anos, vulgo “Mascarado”, preso anteontem à noite em Marília (100 quilômetros de Bauru), confessou ser o suposto mentor intelectual do crime que resultou na morte do estudante Rafael Camarinha, 23 anos, filho do ex-prefeito Abelardo Camarinha, na última terça-feira. Segundo ele, a intenção era assaltar a casa e a morte do estudante foi porque ele reagiu ao assalto.
Ele disse à equipe de investigadores que escolheu a casa da ex-esposa de Camarinha, Maria Paula Almeida, onde estava Rafael, pela aparência e facilidade de acesso. O muro é baixo e a cerca elétrica está instalada apenas sobre o portão de entrada. Na parede estão as marcas do tênis, deixadas supostamente quando o bando invadiu a casa. Segundo o suposto mentor, ele não sabia que a casa pertencia à família dos Camarinha.
Condeli disse que ficou do lado de fora da casa dando “cobertura” aos companheiros. No interior da residência, os três supostos assaltantes teriam rendido a empregada Ana Aparecida dos Santos Manoel, 35 anos, e perguntado se havia mais alguém na casa. Ela teria informado sobre a presença do estudante. Segundo o delegado seccional interino, Antônio de Almeida, a empregada confirma o teor da pergunta.
Ainda de acordo com a versão do acusado, quando os invasores encontraram com Rafael dentro da casa, o estudante teria reagido ao assalto, por isso foi baleado. Na fuga, os assaltante atiraram ainda contra a empregada. O tiro acertou o ombro esquerdo.
Apesar da versão apresentada, o delegado seccional interino disse que a polícia não descarta a possibilidade de homicídio encomendado. “Tudo leva a crer em um roubo que deu errado. Porque eles levaram até um pé-de-cabra, que foi apreendido. Mas o homicídio a mando não está descartado”, disse.
Segundo Almeida, Condeli já esteve preso por 15 anos e possui uma ficha policial extensa. Além dele, estão detidos outros dois suspeitos. Entre eles, um adolescente que também confessou participação no crime. De acordo com o delegado interino, falta encontrar outros três suspeitos.
A investigação está sendo conduzida por uma equipe de investigadores do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, chefiada pelo delegado Tadeu Rossi.
Abelardo Camarinha disse que não aceita a tese de latrocínio (roubo seguido de morte). Na opinião dele, a morte do filho dele foi encomendada.