Bagdá - Mais de 1.500 soldados, 50 bombardeiros e 200 veículos de apoio, deslancharam ontem o maior ataque aéreo no Iraque desde o fim oficial da guerra, em 2003. A chamada Operação Enxame começou em Samarra, 100 quilômetros ao norte de Bagdá e um dos maiores focos de insurgentes. O comando americano não anunciou número de prisões ou mortes, mas informou que vários depósitos de armas foram encontrados.
O início da operação, que deve seguir pelos próximos dias, aconteceu poucas horas antes da primeira sessão do novo Parlamento iraquiano, que marcou a posse dos legisladores eleitos em dezembro. Há menos de um mês, Samarra foi cenário de uma das maiores ondas de violência que se alastrou pelo país, depois que uma importante mesquita xiita foi destruída em um atentado.
A Operação Enxame, apesar de envolver um número menor de soldados em relação a ações anteriores em Falluja e Najaf, mereceu destaque dos porta-vozes americanos, que destacaram a forte presença de soldados iraquianos na operação.
Às vésperas do aniversário de três anos da invasão no Iraque, o governo americano tenta responder no fronte interno às crescentes dúvidas sobre o sucesso da invasão do Iraque, dizendo que o contingente iraquiano é cada vez maior. Inicialmente, o Pentágono pretendia promover o retorno de parte dos 133 mil soldados americanos presentes no Iraque até julho, algo que parece cada vez mais distante.
Quase confirmando esse receio, as forças americanas anunciaram que um batalhão extra de 700 soldados estacionados no Kuwait serão enviados para o Iraque para garantir a segurança durante a peregrinação a locais sagrados em Najaf e Karbala na semana que vem.
A instabilidade no Iraque também era palpável durante a primeira sessão do parlamento iraquiano, que já tinha sido adiada por mais de um mês por desentendimentos entre seus principais líderes. A sessão só durou 40 minutos e foi adiada indefinidamente, diante da falta de consenso para a composição do novo governo. A escolha do novo primeiro-ministro e do futuro ministério está emperrada.
No plenário, os congressistas admitiram o aumento das tensões entre sunitas e xiitas e o vácuo de poder no país. “Temos que provar para o mundo inteiro que não estamos em guerra civil. O perigo ainda está aqui”, discursou o novo e provisório porta-voz do parlamento, Adnan Pachachi. “O país está atravessando tempos difíceis e há perigos que surgem por todos os lados”.
Seu franco desabafo foi interrompido por outro parlamentar, um veterano líder xiita, que disse que seus comentários eram inapropriados para a sessão inaugural pelo seu conteúdo político. A abertura do parlamento coincidiu com o aniversário de 18 anos da morte de 5 mil pessoas, depois de um ataque com gás venenoso em Halabja, no Curdistão, quando uma rebelião foi reprimida pelo regime de Saddam.
Cerca de duas mil pessoas aproveitaram a celebração para protestar contra a precariedade ou ausência de serviços públicos e a dificuldade do novo governo em reconstruir a área. Os manifestantes destruíram um memorial construído recentemente em memória das 5 mil vítimas de Halabja.