O médico José Roberto Berber assumiu o cargo de diretor do Departamento de Urgência e Emergência do da Secretária de Saúde, responsável pelo Pronto -Socorro Central, na terça-feira com objetivo de diminuir em 70% os atendimentos na instituição – número referente a pacientes que poderiam ser atendidos nos postos de saúde.
“Apenas 30% dos pacientes chegam ao pronto-socorro com casos de urgência e emergência. Os demais podem receber atendimento nas unidades de saúde perto de suas casas. Isso diminuiria a demanda do pronto-socorro e os médicos teriam condições de atender com mais qualidade”, afirma Berber.
São atendidos diariamente cerca de 350 pacientes no pronto-socorro. “O objetivo é que sejam atendidos apenas 150 pessoas por dia”, diz. Berber assumiu o cargo que antes era ocupado pelo atual chefe das Unidades Descentralizadas do Mary Dota, Ipiranga e Bela Vista, Aigiro Kamada. Ele foi um dos responsáveis pela implantação do plano emergencial para serviço de urgência e emergência, em julho do ano passado.
A intenção do programa é fortalecer e incentivar o atendimento nas unidades básicas de saúde, desafogando a demanda nos prontos-socorros, procedimento que foi batizado de “inversão da pirâmide”. Pelo plano, os pacientes são atendidos preliminarmente, pelo setor de acolhimento, e classificados entre quatro categorias.
O “vermelho” configura-se caso de urgência e o paciente precisa ser atendido rapidamente no pronto-socorro como, por exemplo, em situação de infarto. Casos classificados como “amarelo” também requerem atendimento no pronto-socorro, como por exemplo paciente sentindo dores no peito. Já os casos “verdes” são de pacientes com mal-estar agudo que também devem ser atendidos no pronto-socorro como, por exemplo, dor de ouvido ou gestantes, idosos e deficientes físicos.
Sem urgência
Mas a maioria dos pacientes atendidos está na categoria “azul” - casos que não são de urgência e emergência e que poderiam ser atendidos nos postos de saúde, sem necessidade de procurar o pronto-socorro.
Segundo Aigiro, diminuiu em cerca de 80% os atendimentos de pacientes no município de Agudos desde a implementação do plano emergencial. Além disso, houve ampliação da oferta de consultas agendadas na unidade do Núcleo Mary Dota que, em contrapartida, deixou de atender os casos de urgência e emergência. Esses dois fatores, diz, implicaram em crescimento de apenas 5% no número de atendimentos no PS Central entre 2004 e o ano passado.
O médico acredita que os resultados já começaram a aparecer, mas ainda não são suficientes para desafogar o pronto-socorro. “A Portaria 1010 do Ministério da Saúde prevê que 85% da demanda seja atendida pela rede básica e apenas 15% pela emergência e urgência. Esse número ainda não foi alcançado, mas estamos no caminho certo”, diz.