Economia & Negócios

Filas nas lotéricas reduzem apostas

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

No final do mês passado, a Caixa Econômica Federal (CEF) começou a implantar um novo sistema tecnológico para a operação das loterias e serviços financeiros nas casas lotéricas de todo Brasil. Desde então, as filas nas unidades de Bauru têm gerado reclamações de consumidores e proprietários, pois os novos equipamentos não estão funcionando. Apenas as máquinas antigas que ainda não foram substituídas continuam sendo usadas para o pagamento de contas e para receber apostas.

De um lado, os apostadores precisam aguardam até duas horas na fila. De outro, a conseqüência é que os proprietários das casas lotéricas estimam perda de pelo menos 50% no número de apostas, o que reduz muito seus ganhos. Em uma lotérica localizada próximo ao Calçadão da Batista, na rua 1.º de Agosto, a gerente Maria Cecília dos Santos não sabe mais qual explicação dar aos clientes.

“O sistema novo fica fora do ar o dia todo. Tem gente que pensa que o problema é da lotérica, mas é a Caixa que implantou. Eles (Caixa) vieram buscar os equipamentos antigos, mas os novos não funcionam”, preocupa-se.

Nesta unidade, os clientes não conseguem fazer apostas, apenas pagar contas. “Um funcionário entrou de férias e outro está de folga porque não tem trabalho”, diz Santos. No balcão, dois cartazes da CEF informam os clientes que a mudança está sendo feita em todo País e pedem desculpas pelo transtorno.

A Caixa disponibiliza um telefone para reclamações: 0800-574-7474. “Não adianta ligar porque eles (Caixa) não dão explicações. Estamos perdendo dinheiro. Só estamos trabalhando com 25% do nosso potencial”, desabafa Santos.

Os clientes também são prejudicados porque enfrentam filas de até duas horas ou optam por desistir de fazer apostas. É o caso do seriógrafo Jenivaldo de Souza. “Já voltei para casa três vezes sem fazer a aposta quando vi o tamanho da fila. É difícil porque a gente não tem tempo para perder esperando na fila”, diz.

Em outro estabelecimento no Centro da cidade, o proprietário enfrenta o mesmo problema. “Desde o primeiro dia em que o sistema novo foi instalado, não está funcionando. O sistema fica o tempo todo tentando se conectar, mas não consegue”, explica.

Ontem de manhã, o novo equipamento funcionou apenas por 15 minutos. “Tivemos esperança que funcionasse o dia todo, mas logo depois que conectou, parou de funcionar”, lamenta. O proprietário diz que perdeu 50% do movimento em função desses problemas. Neste estabelecimento, apenas a máquina antiga estava funcionando ontem.

A dona de casa Conceição Aparecida de Carvalho está acostumada a apostar na loteria pelo menos uma vez por semana. Também desapontou-se com o tamanho das filas, ontem. “Todos estão perdendo com os problemas no sistema. Os apostadores não têm paciência de esperar mais de uma hora na fila e os proprietários perdem dinheiro”, opina.

Por meio da assessoria de imprensa, a CEF informa em nota que “como em todo processo de mudança de grande magnitude, é natural que ocorram algumas dificuldades, que muito brevemente estarão superadas”, mas não especifica quando isso ocorrerá.

Também informa que “para evitar maiores transtornos, a Caixa está, preventivamente, reativando, em todas as unidades lotéricas, equipamentos do sistema que já vinha sendo utilizado, o que garantirá a redução imediata das filas”. A empresa tem prazo até 14 de maio para substituir todos os equipamentos e colocar o sistema em funcionamento.

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