As obras do Departamento de Água e Esgoto (DAE) para a implantação dos interceptores de esgoto nas margens de três córregos de Bauru vão enfrentar um problema que já está quebrando a cabeça da prefeitura: a remoção das famílias que moram nas margens desses rios e que estão em situação irregular. No Jardim Andorfato, as obras ao lado do Córrego da Grama já estão paradas desde o começo do ano. E no Parque das Nações, os trabalhos terão o mesmo problema.
A Secretaria das Administrações Regionais (Sear) está fazendo um levantamento de quantas casas estão no caminho das obras. A estimativa é que na região do Córrego da Grama, no Jardim Andorfato, uma dezena de residências está impedindo o andamento dos trabalhos. Enquanto nas margens do Córrego Água da Ressaca, depois do Córrego Augusto, seriam entre 10 e 12 as moradias em áreas irregulares.
No ano passado, o DAE implantou 10 quilômetros de interceptores e a meta para 2006 é alcançar a mesma extensão. Mas para atingir os quilômetros estipulados, a prefeitura terá de deslocar essas famílias para um outro lugar. No Jardim Andorfato, os moradores ainda não sabiam ao certo para onde iriam. Segundo eles, uma equipe da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) foi até o bairro no dia 9 e marcou as casas com letras e números.
“Querem tirar a gente daqui para fazer o buraco e colocar os tubos. Acho que vamos para umas casas que vão construir num terreno aqui perto”, acredita o pedreiro Luiz Sircio, que teve pintado o código “S7” na parte interna do seu muro.
Morando há pouco tempo com sua família em um casebre nas margens do Córrego da Grama, Roseli Pereira da Silva nada sabia sobre as obras e a possibilidade de ter que se mudar. “Ninguém veio me explicar nada”, conta. Mas tanto ela, quanto Sircio estavam animados com a possibilidade de deixar o local. “A erosão do rio só aumenta e já está ameaçando a minha casa. Isso sem falar dos caramujos”, afirma o pedreiro.
Entre as possibilidades existentes, essas famílias podem ser levadas para o conjunto habitacional que será construído em áreas declaradas de utilidade pública no Jardim Ivone. A CDHU já se comprometeu a liberar recursos para as obras. O terreno comporta 200 lotes e no Jardim Ivone foram cadastradas apenas 99 famílias para a transferência.
Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público estabeleceu que todo o esgoto da cidade teria de ser tratado até 2004. O TAC previa multa de R$ 12 mil por dia para o município após o vencimento do prazo. Como o objetivo não foi atingido, a dívida acumulada está na casa dos R$ 2 milhões. Com a falta de recursos para as outras obras previstas pelo termo, como a Estação de Tratamento de Esgoto, o DAE vai adiantando o trabalho com a implantação dos interceptores.