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Centenas de jovens da região desaparecem todos os anos

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 3 min

Milhares de famílias vivem, todos os anos, a angústia e o desespero de ter um filho, um irmão, desaparecido. Os números, embora sem base científica, são alarmantes. O Ministério da Justiça calcula que 40 mil jovens desapareçam a cada ano no Brasil. No Estado de São Paulo a estimativa é de oito mil desaparecimentos por ano. Em Bauru e região foram registradas, entre maio de 2005 até a semana passada, 205 queixas de desaparecimentos.

De acordo com dados da Rede Nacional de Identificação e Localização de Crianças e Adolescentes (Redesap), a maioria dos casos é resolvida em 48 horas. No entanto, 15% das crianças e jovens ficam longos períodos desaparecidos e muitos nunca são reencontrados. Ainda de acordo com a Redesap, há no Brasil, atualmente, três mil casos insolúveis.

Projetos como o “Caminho de Volta”, que utiliza a biologia molecular e a genética, têm sido importantes instrumentos para auxiliar a polícia na identificação destas crianças e jovens. Em Bauru, menos de um ano depois de instalado, o projeto já apresenta resultados. O primeiro caso a utilizar confronto de DNA para identificação de jovem desaparecido já está em fase de conclusão da perícia.

Desaparecida, no ano passado, em Bastos, uma jovem de 15 anos, grávida de quatro meses, foi assassinada pelo pai da criança, que era casado. Seu corpo foi encontrado em um canavial, neste ano. A identificação foi feita através do confronto de DNA dos familiares e do corpo.

A família da jovem aderiu ao projeto “Caminho de Volta” na época do desaparecimento. O material sangüíneo foi coletado e armazenado no Banco de DNA do projeto em São Paulo, para futura confrontação.

“Sem este recurso talvez nunca fosse identificado o corpo”, afirma Pauliane Veloso. “Este é o primeiro caso em todo o Estado de São Paulo que é realizado o confronto de DNA”, o que confirma que é um instrumento eficaz para auxiliar a polícia na identificação de crianças e jovens desaparecidos.

Dos 205 casos de desaparecimento de menores de 18 anos registrados na região, 62 são só de Bauru. Do total de casos na região, 116 tiveram a aderência das famílias ao projeto e 26 estão cadastrados no Banco de DNA de São Paulo.

O número de cadastros parece pequeno, no entanto, segundo Pauliane Veloso, a maioria dos casos de desaparecimento é resolvida em poucas horas. Muitas vezes a família adere ao programa, de acordo com a policial, mas antes que o procedimento seja efetuado o adolescente reaparece.

A volta espontânea para casa em menos de 48 anos é o mais comum quando se trata de jovens. As estatísticas comprovam: dos 205 desaparecidos da região, 103 voltaram espontaneamente para casa em pouco tempo, o que corresponde a 50,24% dos casos.

O restante se divide entre casos que levaram um pouco mais de tempo para serem solucionados, mas também eram corriqueiros (25%) e os casos realmente graves, pouco menos de 25%. De acordo com dados do “Caminho de Volta”, dos 205 desaparecimentos, 15 continuam sem solução, sendo quetro de Bauru.

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