O Projeto Caminho de Volta foi criado pelo Centro de Ciências Forenses (Censcifor) da Faculdade de Medicina da USP, com a finalidade de atender às necessidades da sociedade e contribuir com os órgãos governamentais na solução de casos de crianças e adolescentes desaparecidos no Estado de São Paulo.
Lançado em 13 de setembro de 2004, em São Paulo, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), o programa permite a rápida busca e comparação entre as informações genéticas e epidemiológicas. Para isto, o projeto lança mão de recursos como biologia molecular, psicologia, bioinformática e telemedicina.
O “Caminho de Volta” é estruturado em quatro eixos: atendimento psicossocial à família; identificação de causas do desaparecimento; banco de dados e de DNA; e expansão do projeto para o Interior de São Paulo e para outros Estados.
Em Bauru, desde maio de 2005, o Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo - Interior (Deinter-4) é um braço do projeto Caminho de Volta responsável por coordenar as seccionais de Assis, Jaú, Lins, Marília, Ourinhos e Tupã. As seis seccionais são compostas por 143 unidades policiais que atendem 84 municípios.
Equipe
A equipe do Deinter-4 conta com duas psicólogas, duas assistentes sociais, um biólogo geneticista e todo o efetivo da Polícia Civil - cerca de 1.400 funcionários - trabalhando voluntariamente no projeto. Todos os casos de desaparecimento de crianças e adolescentes são repassados para uma das seis seccionais.
Estas unidades acionam a equipe de Bauru, que agenda um horário de atendimento às famílias.
Os dados e amostras são coletados e enviados para São Paulo, onde são analisados. O principal objetivo é criar um banco de dados genéticos para a identificação da família da criança. Pauliane Veloso, coordenadora do eixo psicológico, explica que ao fazer a ocorrência na delegacia, a família é orientada sobre o projeto “Caminho de Volta”.
Se aceita participar, é marcada entrevista para aplicação de um questionário para o banco de dados. Em seguida, o material genético é coletado e é oferecido o apoio psicossocial. Pauliane Veloso afirma que o projeto em Bauru está, também, firmando parceria com a DHPP, em São Paulo, para utilização do recurso de progressão de idade através de fotografia.
Nos casos em que a criança ou o adolescente está desaparecido há anos, é feita uma fotografia mostrando qual seria sua aparência hoje.