Ser

Novo homem

Da Redação
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Há um mês, exatamente no dia 19 de fevereiro, mulheres na faixa dos 30 anos que ainda estão em busca de um companheiro foram tema principal deste Caderno.

Surpreendentemente, o retrato da geração de solteiras não encontrou eco apenas no comportamento delas. Por meio de dezenas de telefonemas e e-mails recebidos na redação, muitos homens expressaram o desejo e também as dificuldades de vivenciar um relacionamento duradouro.

Alguns deles, inclusive, reclamaram por não terem sido incluídos na matéria - fato que em grande parte dos casos se estende aos filmes, revistas e livros disponíveis no cenário cultural.

Se por um lado as mulheres contam com uma avalanche de gêneros destinados à elas - entre eles as obras “O Diário de Bridget Jones” e “Sex and City”, ambos adaptados para o cinema e televisão - faltam produtos culturais dedicados a compreender os sentimentos dos homens solteiros, salvo algumas obras acadêmicas.

“Durante muito tempo, o destaque foi a evolução feminina. A indústria cultural continua explorando esse aspecto e os homens não estão sendo ouvidos”, diz a psicóloga Gretta Rodrigues de Souza.

Mas essa escassez de produtos masculinos pode estar com os dias contados. Isso porque não vai demorar muito para que o mercado perceba o novo perfil dos solteiros e o transforme em um grande filão comercial.

A exemplo das mulheres, os homens estão passando por um importante processo de mudança para ir ao encontro a outros modelos de relacionamento, antigamente mantido pelo papel rigidamente imposto e patriarcal, explica Marilene Krom, psicoterapeuta e doutora em psicologia clínica.

“O século 20 representou o avanço das mulheres em busca de sua emancipação e cidadania. O século 21 é marcado por mudanças para os homens e também de sua libertação do modelo antigo”, aponta Marilene.

“Atualmente, diante do pai e mãe trabalhadores bem-sucedidos e ocupados em como dividir o cuidado dos filhos, por exemplo, surgem novas possibilidades para o homem, ao mesmo tempo no qual a mulher conquista direitos de ter ganhos financeiros e aceita as responsabilidades de também custear”, detalha a psicoterapeuta.

Além disso, aponta Marilene, os homens estão descobrindo o papel do afeto e a importância do exercício da paternidade. “É crescente as solicitações de guarda compartilhada e há um aumento de homens que procuram ajuda psicoterápica”, observa.

Essas transformações norteiam o “novo homem”, aponta Marilene. De acordo com ela, nas relações afetivas, por exemplo, os jovens têm expectativas bem diferentes das que tinham seus pais e avós.

“O que eles esperam de um relacionamento já não segue o modelo do homem provedor e da mulher dona de casa. Ela libertou-se do modelo tradicional, assim ele constrói seu novo modelo”, diz a psicoterapeuta.

Gretta concorda e explica que, a exemplo das mulheres, os homens vivenciam um momento de maior sensibilidade, buscando o equilíbrio dentro das relações. “Eles começam a entrar em contato maior com seus sentimentos. Antes existia rigidez, mas hoje sabem que não precisam ser decididos e fortes sempre. Podem chorar e ter angústias. Não é preciso ser um super-herói”, diz.

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