Sai nos jornais, em letras garrafais: “O governador concede aumento aos policiais de São Paulo.” Aquele cidadão honesto e do bem, que quer ser protegido, fica contente, afinal, policial melhor pago gera melhor produtividade no serviço, pois trabalha mais calmo e conseqüentemente rende mais. Tudo muito bom. Na verdade, excelente. Só não concordo de como foi dada a notícia. Deveria ser assim: “O governador concede aumento para policiais “da ativa”. Os demais (aposentados), não terão aumento.” Uma idéia brilhante, sr. Alckmin... brilhante para o senhor. Todos ficam satisfeitos, principalmente aqueles policiais que estão iniciando a carreira.
Para se entender direito, o policial que trabalha em uma cidade com mais de 500.000 habitantes terá um aumento de 33.10%. Aquele que trabalha em uma cidade com menos de 50.000 habitantes ficará com um aumento de 5.53%. Faço uma pergunta: o policial que trabalha, por exemplo, em Macatuba (15.000 habitantes), paga mais barato o quilo do feijão? E a prestação da casa própria, a gasolina. Tudo isso é mais barato?
Outro ponto, absolutamente fora de lógica, é que um soldado que trabalha na capital vai ganhar mais que um 1.º sargento (R$ 2.036,53 contra R$ 1.917,67, respectivamente). Vale lembrar que para se chegar ao posto de 1.º sargento o policial passa por vários aperfeiçoamentos e escolas. A demora de todo esse processo é de aproximadamente 20 anos. Como fica a cabeça daquele 1.º sargento que trabalha em Macatuba? Após 20 anos de lutas e sacrifícios, transferências por necessidade do serviço, por ter obtido um cargo superior, ele verá que na verdade não valeu a pena, pois um soldado (1ª classe), só porque trabalha em São Paulo, capital, ganha mais do que ele.
O sr. sabia que a hierarquia da Polícia Militar do Estado de São Paulo é uma das melhores do Brasil? Existe respeito mútuo. Existe solidariedade e complacência. Mas acima de tudo isso está a verdadeira hierarquia ascendente, do soldado ao coronel. É por isso que a Polícia Militar do Estado de São Paulo existe há mais de 150 anos. Quantos governadores passaram pelo governo todo esse tempo? E a Polícia Militar sempre esteve lá, firme e forte. Agora, me vem o senhor querendo “bagunçar” uma instituição como nossa querida polícia militar? Ora bolas!... sr. Alckmin.
Dê um aumento um pouco menor, mas agrade a todos. Aquele que agora se alegra, amanhã vai reclamar de ver seus vencimentos reduzidos, pois aposentou, perde essa “gratificação”. E aquele policial que levou uma bala nas costas e está em uma cadeira de rodas, aposentado? Ele não terá esse aumento. É justo?... Sr. Alckmin, não me venha com essa de que o policial ganha adicional por tempo de serviço, insalubridade ou regime especial de trabalho policial. Essas vantagens foram todas adquiridas por lei e são extremamente constitucionais. O policial é policial 24 horas por dia, mesmo depois de aposentado. Se o é, deve sim receber todas as vantagens adquiridas pelos da ativa. Se errar, fica detido no quartel, igual aos demais.
Sabe o que eu acho de tudo isso, sr. Alckmin? Esse procedimento seu é completamente eleitoreiro. Como já disse, polícia satisfeita, maior produtividade e menos crimes. Na aparência, é bom. Na verdade, é ótimo, pois o senhor só quer mostrar aparências. Será candidato à Presidência da República. Torço para que isso não aconteça. Se o senhor, que agora antes de sê-lo, está passando uma carreta cheia de pedras por cima dos policiais aposentados, imagine quando (Deus me livre) for presidente da República. Se conseguir ser candidato, tenho certeza que não obterá nenhum voto de todos aposentados do Brasil. Haverá uma manifestação pública, que terminará junto à Assembléia Legislativa. Terá repercussão em todo o Brasil.
Volto a dizer: “O senhor não terá nenhum voto de todos aposentados do Brasil.” Já começou com esta minha manifestação. O jornal que escrevo possui boa repercussão em todo o Estado. É um jornal de credibilidade e sabe perfeitamente o que é certo ou errado. Tenho certeza que haverá uma reviravolta em todo esse processo. “Má sorte para o senhor, sr. Geraldo Alckmin.”
Luiz Carlos Pasquarelo - RG 3.053.575