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CEF abre inquérito sobre violação de sigilo

Folhapress
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Sâo Paulo - A Caixa Econômica Federal (CEF) informou que já está investigando a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo. O extrato da conta poupança do caseiro na Caixa vazou para a imprensa logo depois de seu depoimento na CPI dos Bingos ser suspenso por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em nota oficial, a Caixa informa que vai apurar “no âmbito interno” a responsabilidade pelo vazamento do sigilo bancário do caseiro, que é correntista da instituição. “A Caixa Econômica Federal informa que instaurou procedimento de investigação visando apurar, no âmbito interno, eventuais responsabilidades pela divulgação de informações a respeito da conta poupança do cliente Francenildo dos Santos Costa”, diz comunicado oficial da instituição.

Ontem de manhã, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou que a quebra de sigilo bancário do caseiro é grave e que precisa ser apurada. “Acredito que seja uma violação grave. Essa quebra de sigilo é séria, precisa ser apurada e vai ser apurada.”

Dados sobre a movimentação bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa foram divulgados na última edição da revista “Época”.

A reportagem sugere que pode ter sido comprado o depoimento no qual ele contou à CPI dos Bingos ter visto o ministro Antônio Palocci (Fazenda) em uma casa em Brasília utilizada para festas com garotas de programa e para reuniões de lobby.

A movimentação bancária do caseiro mostra que sua conta na Caixa recebeu R$ 25 mil em depósitos desde janeiro, “A PF vai apurar [a quebra de sigilo] das maneiras que ela tem: abrindo inquérito policial, investigando e trabalhando”, disse o ministro.

Ação na Procuradoria

O caseiro Francenildo dos Santos Costa entrou ontem com uma ação contra a Caixa Econômica Federal na Procuradoria da República do Distrito Federal.

A queixa foi protocolada pelo advogado do caseiro, Wlício Chaveiro Nascimento, que pediu à Caixa e ao Banco Central informações sobre quem teve acesso ao extrato de Nildo - ele quer saber ainda como, onde e quem acessou os dados bancários do caseiro.

O advogado solicitou à Polícia Federal (PF) detalhes dos procedimentos adotados em casos como Nildo, que ficou sob proteção da instituição de quinta para sexta-feira da semana passada. Nildo estava sob proteção da PF quando o extrato de sua conta chegou até a imprensa.

O caseiro disse ainda que a PF solicitou seus documentos, inclusive seu cartão bancária, enquanto esteve sob proteção. A violação do sigilo bancário de Nildo ocorreu um dia depois de seu depoimento na CPI dos Bingos ser suspenso na quinta-feira por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na sexta-feira, Nildo afirmou que suspeitava que seu sigilo bancário tenha sido violado pela PF.

Ontem, o advogado do caseiro voltou atrás na suspeita que os dados bancários de Nildo tenham sido vazados pela PF. “Acho que houve um mal-entendido na declaração do Nildo na sexta-feira”, disse ele sobre as declarações dadas pelo caseiro logo depois de seus dados bancários virem à tona.

O advogado do caseiro, que disse anteriormente que estava trabalhando de graça para Nildo, disse que ainda não sabe se cobrará os honorários agora que sabe que ele tem dinheiro. “Posso até pensar (em cobrar). Por enquanto não tenho preocupação”, disse.

Paternidade

O advogado afirmou ainda que deve entrar com uma ação de reconhecimento de paternidade para obrigar o empresário Eurípedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina, a registrar Nildo. Ele seria pai de Nildo e teria feito os depósitos na conta do caseiro. O caseiro disse que procurou o empresário, que teria se comprometido a ajudar financeiramente o filho bastardo, mas sem reconhecer a paternidade.

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