Quanto mais suja a água, maior a quantidade de produtos químicos para o seu tratamento e, conseqüentemente, mais dinheiro se gasta para torná-la potável. Quando chove, a enxurrada carrega terra e outros sedimentos, inclusive resíduos de agrotóxicos e outros poluentes, para os rios. Por isso, preservar as matas ciliares, conter o assoreamento dos mananciais e recuperar o que já foi degradado, além de contribuir para o meio ambiente, torna todo o processo de tratamento da água, mais barato.
Cerca de 40% das casas de Bauru são abastecidas pelo rio Batalha, que sofre degradação. A Estação de Tratamento de Água (ETA) capta 500 mil litros (ou metros cúbicos) de água a cada segundo. Independentemente do nível de sujeira que está quando entra na ETA, três horas depois, a água está pronta para o consumo. O que varia, é a quantidade de reagentes que terá de ser aplicada para tornar a água potável. “Por ser um processo dividido em fases, o tempo é o mesmo”, explica Márcia Domingues dos Santos Zanatta, diretora interina de águas superficiais e tratamento do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Quando a água está limpa, o DAE gasta cerca de R$ 0,275 em energia elétrica e produtos químicos a cada mil litros de água tratada. Se a água estiver suja, o valor sobe para R$ 0,248. Pode parecer pouco, mas se for calculada a produção por períodos, a diferença começa a ficar mais evidente. A cada hora, a ETA trata 1.800 metros cúbicos. No final de um dia, são 43.200 metros cúbicos e em um mês, 1.296.000. A cada hora, a prefeitura desembolsa R$ 495,00 para tratar a água quando ela está mais suja e R$ 446,40 para o metro cúbico de água mais limpa. Em um dia de chuva, quando o rio está cheio de terra e sedimentos, gasta-se R$ 1.166,40 a mais para tratar o mesmo volume de água que em um dia de seca.
E se o leito do rio Batalha não estivesse assoreado, e a sua mata ciliar nãotivesse sido devastada, mesmo em dias de chuva, o gasto não seria tão maior. “Se estivesse totalmente preservada, a mata iria segurar a enxurrada e o rio não iria carrear tanta sujeira. E isso diminuiria o consumo de produtos químicos para o tratamento da água”, afirma Zanatta.
Amanhã é comemorado o Dia da Água e também o Dia do rio Batalha. Para a diretora do DAE, muita coisa ainda precisa ser feita para a preservação do manancial. “Principalmente em conscientização. Água tem de ser usada com responsabilidade, para que não falte no futuro”, avisa Zanatta. Para isso, ela aponta que educação ainda é a melhor saída. “O DAE mantém programas de educação ambiental com escolas de Bauru. Mas, além disso, todo mundo tem que contribuir”, pede a diretora.