Hoje é comemorado o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial. Em Bauru, entidades sindicais e estudantis prepararam uma vasta programação para celebrar a data. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), junto com órgãos defensores dos direitos humanos, irá lançar a campanha “Não matem os nossos filhos: eu quero crescer”.
Roque Ferreira, presidente do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, aponta que serão apresentadas iniciativas no âmbito estadual para o combate à discriminação.
“A juventude, especialmente a negra, atravessa um processo de genocídio deliberado. Dos jovens mortos violentamente no Brasil, cerca de 80% são negros, têm entre 15 e 24 anos sem passagem pela polícia”, aponta Ferreira. Para ele, em Bauru a situação é um reflexo do que acontece no Brasil. “O mercado de trabalho, especialmente nos serviços de relação direta ao cliente, não emprega o negro”, evidencia Ferreira.
A data foi instituída em 21 de março de 1966, numa Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Com o objetivo de reunir a comunidade internacional na luta contra todas as formas de discriminação racial, a data foi escolhida para lembrar o “Massacre de Shaperville”, em 1960, quando 69 negros foram mortos e outros 300 feridos, em uma manifestação pacífica realizada em Shaperville (África do Sul) contra o apartheid.
Infância
O Dia Mundial da Infância, também é comemorado hoje. Para o sindicalista, a data também deve ser motivo de reflexão. “Nossa infância está desprovida de sonhos. E o Estado não oferece saúde, trabalho e perspectiva para o futuro”, analisa Ferreira. Nessas condições, ele aponta que o jovem possui apenas três saídas: “O tráfico de drogas, a prostituição infantil e o tráfico de armas”, observa.
Para conter esse processo, o sindicalista aposta na abertura da sociedade ao debate e convoca o governo a melhorar seus investimentos. “Se você melhora a qualidade de vida das classes menos favorecidas, você melhora toda a população”, acredita Ferreira.
O Núcleo Pela Tolerância da Universidade Estadual Paulista (Unesp) programou quatro colóquios para o semestre para discutir a convivência na diversidade. O primeiro, com o tema “Diversidade, desigualdade e (in) tolerância” terá como debatedores os professores Celso Zonta e Osmar Cavassan da Unesp de Bauru, Valter Roberto Silvério, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e Zilda Márcia Grícoli Iokoi, da Universidade de São Paulo (USP).
O colóquio será mediado pelo professor Clodoaldo Meneguello Cardoso, coordenador do núcleo. O primeiro evento será no próximo dia 29, a partir das 15h, na sala 1 da Unesp.