Para os bauruenses, Orlando Villas Bôas é sinônimo de índios e florestas. Não que seja diferente para os paulistanos, mas eles também terão a chance de associá-lo a um parque, que será instalado na Vila Leopoldina, numa área onde funcionou por 30 anos uma usina de compostagem.
Com os irmãos Cláudio, Leonardo e Álvaro, Orlando não foi “apenas” protagonista da expedição Roncador-Xingu, ocasião em que povos indígenas desconhecidos foram contatados e terras foram cartografadas. Morador da Vila Leopoldina, ele também engrossou o movimento popular que reivindicava a desativação da usina de lixo, responsável por problemas ambientais e de saúde pública.
“Nos anos 80, ela começou a triplicar (a compostagem). Conseguimos tirá-la há dois anos. Só falta concluir o estudo de contaminação do terreno para começar o trabalho de recuperação da área”, explica José Benedito Morelli, presidente do Conselho das Associações de Amigos de Bairro da Lapa e Região. Conhecido por Bonelli, ele foi amigo pessoal de Orlando.
Acervo
De acordo com Bonelli, tanto a Assembléia Legislativa quando o Executivo já confirmaram a criação do parque. “É uma homenagem. As histórias de Orlando são fantásticas. Ele era o brasileiro mais brasileiro que nós tínhamos”, explica. A área verde contará com espaço para acolher o acervo cedido pela família. Foram 20 anos de expedição, que reuniram documentos de parte da história do Brasil.
“A gente pretende disponibilizar o material. Queremos preservá-lo. A homenagem, com certeza, é também para os irmãos dele”, comenta Marina Lopes Lima Villas Bôas, esposa de Orlando e ainda moradora da Vila Leopoldina. Ela ainda mantém contato com a família de Álvaro, que vive em Bauru.
Orlando, Cláudio, Leonardo e Álvaro preservaram vidas humanas, culturas antigas, valores que, perdidos, não podem mais ser recuperados. Eles garantiram a sobrevivência de nações inteiras ao consolidar, com o apoio do antropólogo Darcy Ribeiro e do sanitarista Noel Nutels, o Parque Indígena do Xingu, informa o site do Estadão.
De acordo com a mesma fonte, o resgate das tribos xinguanas renderam a Orlando e seu irmão Cláudio a indicação para o prêmio Nobel da Paz, em 1976. “Só não ganharam porque tiveram medo que ele denunciasse a situação do Brasil”, conclui Borelli.
O indigenista, nascido em Santa Cruz do Rio Pardo, morreu em dezembro de 2002, aos 88 anos.