A segunda-feira foi violenta em Bauru. No início da manhã, a polícia encontrou o corpo do servente de pedreiro Denilson Magalhães da Silva, 35 anos, conhecido por ‘Baianinho’. Ele foi morto a pauladas no Núcleo Beija-Flor. Por volta das 10h30, o pedreiro João Batista da Silva, conhecido por Adão, foi assassinado a tiros no Jardim Carolina, num crime que envolve, inclusive, suspeita de estupro.
Há duas versões sobre o que motivou a morte. Em ambas, a enteada do pedreiro, uma adolescente de 14 anos, é o pivô da briga entre ele e o acusado do crime. A primeira versão é da menor, que afirmou ter sido estuprada pelo padrasto, que seria o pai da criança que ela espera - ela já está no quinto mês de gravidez.
O autor do homicídio seria o namorado da adolescente. Ele teria matado Silva por vingança, já que não aceitaria o fato de a namorada ter sido estuprada. Mas a mãe da garota, que o JC preferiu não identificar para não causar constrangimento à adolescente, tem outra versão. Ela afirmou que Silva não é o pai da criança que sua filha espera e que a desavença entre ele e acusado do crime é porque seu marido teria proibido o namoro dos dois.
Além disso, logo após a morte, chegou à polícia uma informação que colocou em dúvida o nome da vítima, que no bairro é conhecida por Adão. “Informaram que o nome da vítima não é João Batista da Silva. Em função disso, colhemos sangue para exame de DNA e impressão datiloscópico para dirimir dúvidas”, comenta o delegado Dinair José da Silva, do 4.º Distrito Policial, que investiga o caso.
Até o final da tarde de ontem, a polícia ainda estava tentando localizar o namorado da adolescente e um outro rapaz que estava com ele, que é irmão da mulher da vítima, para tentar esclarecer o crime. O corpo do pedreiro tinha três ferimentos à bala, mas o delegado explica que outros detalhes do crime serão esclarecido somente com o laudo do IML. A vítima morreu em conseqüência de hemorragia interna aguda.
Como foi
O pedreiro foi morto a 100 metros de sua casa. Ele estava juntamente com seus dois filhos menores - um deles de 11 anos – quando teriam chegado ao local o namorado de sua enteada e o irmão de sua mulher perguntando pela adolescente. A vítima e o namorado da adolescente teriam iniciado uma discussão e o rapaz teria sacado uma arma e efetuado dois disparos.
Mas os tiros não acertaram Silva, de acordo com relato de testemunhas. Ele teria fugido e, na rua, teria sido alcançado pelo rapaz, que teria efetuado mais três disparos. Silva foi atingido na mão, nas nádegas e na boca, indicativo de que o autor do homicídio estava próximo da vítima quando disparou.
Mesmo ferido, o pedreiro entrou numa casa, onde mora o policial aposentado Antônio Dias Nascimento. De acordo com o proprietário do imóvel, sua mulher, Maria José Nascimento, estava com o neto no colo quando viu Silva entrar, já todo ensangüentado. “Ela entrou em choque”, diz o policial.
Apesar de estar sangrando muito, Silva ainda teve forças para sair para um quintal ao lado da casa do policial, onde caiu. De acordo com o delegado, o pedreiro chegou a ser socorrido pela Unidade de Resgate, mas não resistiu aos ferimentos.