Ibitinga - A marca “Bordados de Ibitinga” não será mais pivô de embate. O empresário de Bauru, Aparecido de Almeida, que solicitou o registro junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), disse não ter mais interesse comercial em usá-lo. A afirmação trouxe alívio ao Sindicatos das Indústrias e Comércio de Bordados.
Almeida abrirá mão da marca que lhe pareceu atrativa quando atuava no segmento. Dos quatro anos que permaneceu no ramo, um deles manteve loja em Ibitinga. “Fiquei surpreso. Não imaginava (a repercussão). Deu a impressão que agi de má-fé. Ainda tenho um monte de amigos lá”, comenta Almeida.
Para ele, o “brilho” do comércio de bordados foi ofuscado pela estratégia das grandes redes do ramo de instalarem lojas na rua 25 de março, em São Paulo. A iniciativa teria inibido a vinda de consumidores a Ibitinga.
O empecilho o teria levado a mudar de área. Atualmente, ele é proprietário de um sex shop em Bauru. “Só não sei como faço (para oficializar a desistência)”, explica. O trâmite é simples, informa a assessoria de imprensa do Inpi. Basta o preenchimento de uma petição requerendo a desistência, que deve ser enviada pelo correio.
O procedimento não tem custo. O formulário adequado está disponível no site do instituto. O pedido de registro de marca foi feito em junho de 2003 por Gabriel Bordados Ltda, empresa de Almeida. Em novembro do mesmo ano, o Sindicatos das Indústrias e Comércio de Bordados Ibitinga protocolou oposição à solicitação do comerciante. Mas até ontem, o impasse ainda não havia chegado a um desfecho.
Num outro processo, o sindicato também requereu o direito pela marca, explica o presidente da entidade, Aquiles Sina. Caso a desistência de Almeida se concretize, o processo do sindicato continuará tramitando pelo Inpi. A idéia é que a marca “Bordados de Ibitinga” seja concedida à entidade, que representa 400 empresas.
“É um alívio para a gente (a desistência)”, diz Sina. Na opinião dele, a concessão do registro auxiliará, inclusive, no combate à “pirataria” de bordados. Aquiles alerta sobre a venda de peças não produzidas na cidade, mas anunciadas por comerciantes de outros municípios como de lá.