Nacional

Guerra entre traficantes causa 8 mortes

Por Mario Hugo Monken | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Oito homens foram mortos na madrugada de ontem em um confronto entre traficantes na favela Santa Lúcia, em Imbariê, distrito de Duque de Caxias (Baixada Fluminense, região metropolitana do Rio). Todos seriam ligados ao tráfico, de acordo com testemunhas que reconheceram os corpos.

O tiroteio começou por volta da meia-noite e durou pelo menos quatro horas. Quadrilhas de favelas dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) na cidade, como a Vila Operária, Dois Irmãos, Beira-Mar e Mariante, invadiram à Santa Lúcia, do Terceiro Comando Puro (TCP). Quatro dos mortos estavam em cima de uma laje de uma igreja evangélica.

À tarde, a Polícia Militar (PM) ocupou a Mariante, que é vizinha à Santa Lúcia, e prendeu sete suspeitos de participarem da matança, sendo cinco menores. Um deles foi baleado e está internado. Um outro homem ficou ferido no confronto de madrugada e também foi hospitalizado.

Funcionários do Instituto Médico Legal e do hospital de Saracuruna, para onde foram levado os feridos, informaram à reportagem que estariam para chegar outros corpos, mas a polícia nega.

Cinco dos mortos moravam na Vila Operária, comunidade que fica no centro de Duque de Caxias. Outros três seriam da favela invadida. Até o início da noite de ontem, nenhum dos corpos havia sido identificado. Três deles foram reconhecidos por apelidos ou pelo primeiro nome.

Vítimas foram mortas com disparos de fuzil mas nenhum dos cadáveres estava irreconhecido, segundo peritos do IML Ao tomarem conhecimento do confronto, policiais militares tentaram intervir no tiroteio mas foram encurralados pelos criminosos e tiveram que chamar reforço.

Nova ocupação

Uma semana depois de substituir a operação maciça por ações pontuais em favelas do Rio, o Exército voltou a usar suas tropas para ocupar uma comunidade, na tarde de ontem. Uma companhia do 1º Batalhão de Polícia do Exército, com o efetivo entre 150 e 200 homens, tomou a Favela do Dique, em Jardim América (zona norte da cidade), cuja venda de drogas é controlada pela facção criminosa Comando Vermelho.

Segundo o Comando Militar do Leste (CML), o objetivo da operação era cumprir um mandado de busca e apreensão relacionado ao Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o rouba de 11 armas do Estabelecimento Central de Transportes, em São Cristóvão. Outra meta do grupo seria a prisão de um dos supostos assaltantes, um criminoso civil.

Dois ex-militares - o ex-cabo Joelson Basílio da Silva, 23 anos, e do ex-soldado Carlos Leandro de Souza, 22 anos - já confessaram participação no roubo e estão presos.

Um sargento que estava de serviço na madrugada do dia 3 foi acusado pelos dois de conivência. Ele é o único militar da ativa suspeito de ter participado do assalto. A operação de ontem foi a primeira do Exército nas ruas desde que anunciou a recuperação dos dez fuzis e de uma pistola, no dia 13, após operação na Rocinha.

A "Folha de S.Paulo" revelou que a Força negociou sigilosamente a recuperação das armas e já tinha posse delas desde o domingo, dois dias antes do anúncio oficial, posterior a uma megaoperação na Rocinha.

O Ministério Público Militar vai pedir a prorrogação da prisão temporária, por mais cinco dias, dos dois ex-militares já detidos. A denúncia oficial deve sair ainda esta semana. O IPM já identificou dois ex-militares, um militar e ao menos quatro civis que participaram da ação de roubo das armas, na madrugada do dia 3. Até quinta-feira, os supostos autores do roubo devem ser denunciados pelo MPM, informou a assessoria do órgão.

Os promotores militares integrantes do grupo que acompanha o IPM pretendem pedir a prisão preventiva dos indiciados. A prisão temporária, por cinco dias, só pode ser renovada por mais cinco, o que acabou de ser feito. A prisão preventiva não tem prazo de expiração.

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