Minsk - Os EUA e a União Européia (UE) entraram em rota de colisão com Moscou e rejeitaram ontem os resultados da eleição presidencial de Belarus, realizada na quarta-feira. A votação reelegeu Alexander Lukashenko, há 12 anos no poder acusado de governar de forma ditatorial. De noite, milhares de opositores protestaram pelo segundo dia contra os resultados na capital, Minsk.
“Os EUA não aceitam os resultados da eleição. A campanha eleitoral foi realizada sob um clima de medo e incluiu prisões, espancamentos e fraude”, disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, que advertiu o governo bielo-russo sobre “ameaças e detenções contra os que exercerão seus direitos políticos nos próximos dias e depois disso”, em alusão aos protestos.
Já o presidente russo, Vladimir Putin, parabenizou na semana passada seu colega bielo-russo ao afirmar que “os resultados da eleição atestam o fato de que os eleitores confiam no seu comando”. A Chancelaria russa, em nota, voltou a defender ontem a vitória de Lukashenko afirmando que “não há nenhuma razão para questionar os resultados”.
Lukashenko venceu com 82,6% dos votos, arrasando seu principal rival, o líder oposicionista Alexander Milinkevich, que recebeu apenas 6% dos votos, de acordo com os números oficiais. A Organização pela Segurança e Cooperação na Europa disse que os seus 400 observadores encontraram “evidência empírica substancial” de fraude. “As eleições não foram livres e limpas”, disse o grupo.
Lukashenko tem sido criticado pela UE, pelos EUA e pela ONU por prender políticos da oposição, sufocar a imprensa e mudar a Constituição para tirar o limite de dois mandatos presidenciais. O governo americano está consultando a UE sobre possíveis sanções contra Belarus, segundo McClellan. O chanceler francês, Philippe Douste-Blazy, disse que o bloco provavelmente ampliará o veto de vistos a altos funcionários do governo Lukashenko.