Na abertura do I OLA (Observatório Latino-Americano), quem virá ministrar palestra em Bauru será o consagrado jornalista Mino Carta, discorrendo sobre os relacionamentos das mídias na América Latina, principalmente o jornalismo, de quem ele é um dos grandes baluartes. Será uma oportunidade única de bater um papo com o criador de nossas mais conhecidas revistas semanais, a Veja e a Isto É, além do papel desempenhado pela sua Carta Capital, no papel que esse segmento tem na distribuição de informação.
É mais do que sabido por todos que Mino renega os rumos tomados por suas crias. Sua revista hoje, a Carta Capital, é um exemplo de coragem (sempre indispensável) e honradez. Quem a lê regularmente sabe que ali se fiscaliza o poder, onde quer se manifeste, a bem da prática correta do jornalismo. É uma revista que representa muito bem uma resistência (“resistir é preciso”) natural para quem não perde a crença na grandeza do Brasil. Como ele mesmo reafirma em um dos seus editoriais: “Carta Capital sabe que a dimensão e as potencialidades do País transcendem as mazelas do poder contingente, a incompetência e a ferocidade da sua elite, a hipocrisia dos nossos falsos capitalistas e a resignação dos miseráveis”.
Mino já circulou por nossas mais aclamadas redações, ocupando altos postos em todas elas e nunca se deixou vergar. Chega incólume aos dias atuais, sem máculas em seu currículo e de cabeça sempre erguida. Passou por muitos revezes (como todos nós) e continua tendo uma postura de acreditar nas potencialidades desse imenso e sofrido país, que foi governado por representantes de sua elite por 500 anos e hoje experimenta algo um tanto inusitado, além de inédito: a chegada de um operário ao poder. Isso inquieta e instiga. Sua visão é bem clara a respeito disso e vai além dos casos de corrupção, que todos nossos governos tiveram.
Dia 27/03, segunda-feira, no Teatro Municipal, ele estará expondo o seu ponto de vista, sempre polêmico, mas meio que incontestável: “Nossa mídia sempre esteve a favor do poder porque ela é um dos rostos do poder, ela é o poder, sempre trabalhou pelo poder”. Discordar sem ouvi-lo atentamente é algo que não devemos fazer. Ou saímos de lá convencidos que suas idéias representam a mais pura verdade ou o questionemos em público. A proposta é essa e quem ainda acredita nesse país não pode perder esse encontro. Seria bom se todos estivéssemos por lá.
O autor, Henrique Perazzi de Aquino, é professor, diretor de Departamento Proteção ao Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura -Bauru-SP