Cultura

Museu da Língua Portuguesa é sucesso

Da Redação
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Apenas na manhã de ontem, mais de 800 pessoas passaram pela entrada do Museu da Língua Portuguesa, que foi aberto ao público ontem, na Estação da Luz, no Centro de São Paulo. De acordo com a assessoria de imprensa do projeto, a excelente procura do público, espantosa para uma manhã de dia de semana, surpreendeu os organizadores.

“Vi pessoas saindo da Praça da Língua (um dos módulos do museu, que trata da criação literária em português) emocionadas e celebrando o Brasil e o nosso idioma”, comentou Jarbas Mantovanini, gerente do projeto do Museu da Língua Portuguesa, em entrevista à assessoria de imprensa. “Uma professora chegou a dizer que o País inteiro deveria ter a oportunidade de ver o que está acontecendo aqui e que o Museu não deveria ficar restrito a São Paulo”, completou.

O Museu da Língua Portuguesa é a primeira instituição totalmente dedicada ao idioma natal de um país. Sua proposta é de ser um museu do século 21, com novas formas de relacionar seu acervo com o público. Um vasto conteúdo - sobre linguagem, a história da língua, os inúmeros idiomas que ajudaram a formá-la, as formas que ela assume no cotidiano e a criação da língua na literatura brasileira, entre outros assuntos – é apresentado em diversas mídias. Em vez de passear por uma sucessão de objetos e textos presos às paredes, o público passa por uma viagem sensorial e subjetiva pela língua, que inclui filmes, audição de leituras e diversos módulos interativos.

De acordo com a assessoria de imprensa do museu, ele foi instalado em um lugar totalmente adequado a sua proposta. No coração de São Paulo, a Estação da Luz também foi, no passado, ponto de encontro entre o português falado no Brasil e outros idiomas. A Luz era a primeira visão de São Paulo dos imigrantes que chegavam à estação em trens vindos do Porto de Santos.

O projeto, orçado em R$ 37 milhões, é fruto da parceria entre Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo - por meio da Secretaria de Estado da Educação -, IBM do Brasil, Petrobras, Correios, TV Globo, Instituto Vivo, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Votorantim e AES Eletropaulo, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. A realização é da Fundação Roberto Marinho e da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e conta com o incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Estrutura

O museu foi instalado no prédio acima da plataforma da Luz, onde, no início do século 20, funcionavam os escritórios da companhia férrea. Parcialmente destruído por um incêndio em 1946, o prédio - reconstruído na década de 50 - passou por um processo de revitalização e restauro. O projeto arquitetônico é de Paulo e Pedro Mendes da Rocha, pai e filho, pela primeira vez trabalhando juntos. A museografia leva a assinatura de Ralph Appelbaum, que tem em seu currículo o Museu do Holocausto, em Washington, e a Sala de Fósseis do Museu de História Natural, em Nova York.

Futura diretora de conteúdo do museu, a socióloga Isa Grinspun Ferraz coordenou um time composto por cerca de 30 dos maiores especialistas em língua portuguesa do país, entre eles Alfredo Bosi, Antonio Risério, Ataliba de Castilho, Yeda Pessoa de Castro (línguas africanas) e Aryon Rodrigues (línguas indígenas) e José Miguel Wisnik. Uma ampla equipe foi responsável pela elaboração de todo o conteúdo que sustenta cada módulo da exposição permanente, que contou ainda com a direção artística de Marcello Dantas.

No térreo, entre os dois elevadores panorâmicos, está a instalação da Árvore da Língua, criada pelo arquiteto e designer Rafic Farah. Em suas folhas, são projetados contornos de objetos e suas raízes são formadas por palavras. A instalação é complementada por uma espécie de mantra, composto por Arnaldo Antunes, que brinca com as palavras “língua” e “palavra” ditas em vários idiomas.

No terceiro pavimento, se encontra o Auditório, que trata a origem da linguagem e das línguas, a multiplicidade de idiomas e o português com recursos audiovisuais; e a Praça da Língua, uma espécie de planetário com imagens e áudio, com uma antologia da literatura brasileira, escolhida por José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski, misturados a letras do cancioneiro popular.

No segundo pavimento, a Grande Galeria conta com um painel de 106 metros com projeções de imagens e sons, uma espécie de mural em movimento mostrando a língua portuguesa no cotidiano; e as Palavras Cruzadas, que estão em oito totens, chamados de lanternas, dedicados às influências das línguas e dos povos que formaram o português do Brasil e nos quais os visitantes podem interagir. O pavimento conta ainda com a Linha do Tempo e o Beco das Palavras, um jogo eletrônico interativo.

No primeiro piso, está a área de exposição temporária, inaugurado com uma mostra comemorativa dos 50 anos de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. A diretora teatral Bia Lessa assina a concepção e a curadoria da mostra e criou um espaço também interativo e com efeitos cenográficos, que procura “recriar” o sertão.

• Serviço

O Museu da Língua Portuguesa fica aberto de terça a domingo, das 10h às 18h, na Estação da Luz, em São Paulo. Os ingressos custam R$ 4,00. Estudantes, idosos e crianças até 10 anos pagam R$ 2,00. Aos sábados, a visitação é gratuita. Professores e estudantes da rede pública em visitas previamente marcadas têm entrada franca. Mais informações: www.museudalinguaportuguesa.org.br.

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