Polícia

Rapaz confessa morte do padrasto da namorada e alega violência sexual

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Policiais militares da Base Comunitária Sudeste detiveram ontem o servente de pedreiro Vilson Mailon Soares da Silva, conhecido por “Zoró”, 19 anos. Ele confessou ter matado a tiros o pedreiro João Batista da Silva, 35 anos, conhecido por Adão, na última segunda-feira, no Jardim Carolina. “Zoró” que, entregou a arma do crime, é namorado da enteada da vítima. A garota, uma adolescente de 14 anos, teria sido o pivô do assassinato. Ele afirma que a menina, foi estuprada pelo padrasto, que seria o pai do filho que ela espera.

É a mesma versão da adolescente, que está no quinto mês de gravidez. Diante da acusação, a Polícia Civil vai pedir exame de DNA para esclarecer quem é o pai da criança que a adolescente espera. “Zoró” vai responder pelo crime em liberdade, já que o prazo de flagrante expirou. O outro acusado de participação no crime, Jeferson Cardoso, conhecido por “Dé”, se apresentou à polícia na manhã de ontem.

Os dois sustentam a tese de que o pivô da briga foi a enteada da vítima. Na versão deles, a adolescente estava correndo risco de vida, uma vez que a mãe dela havia reatado o relacionamento com o padrasto que a teria estuprado. “Zoró” levou os policiais militares até um terreno baldio do Parque Bauru, onde estava enterrado um revólver Taurus calibre 38. A arma apresentava quatro cápsulas deflagradas e duas intactas. A numeração do revólver era raspada.

“Dé” disse à polícia que foi convidado por “Zoró” a buscar a adolescente na casa dela, onde estava a vítima. Quando eles chegaram no local, encontraram Silva. Os dois rapazes começaram a discutir com o pedreiro e “Zoró”, segundo confessou, sacou a arma e efetuou um disparo em direção a Silva. Ferido na mão, ele fugiu para a rua, onde foi alcançado e alvejado por mais dois disparos: um na nuca e um nas costas.

Investigações

Com a versão dos dois acusados, a polícia começa agora a trabalhar com as contradições e confrontos de depoimentos. “Vamos confrontar as versões de todos os ouvidos, acusados e testemunhas”, diz o delegado Dinair José da Silva, que conduz a investigação do caso. Ele diz que a possibilidade de reconstituição do crime não está descartada. “Vamos aguardar o laudo da Polícia Científica e do Instituto Médico Legal”, comenta.

Ele adianta que a polícia vai requisitar a coleta de sangue da adolescente para exame de DNA para investigação da paternidade da criança que ela espera. Já foram coletadas amostras de sangue de Silva, que morreu, e de “Zoró”, namorado da adolescente e que confessou o crime. “É importante definir se o filho é do padrasto ou do namorado”, frisa o delegado.

Em dezembro do ano passado foi registrada uma averiguação de estupro na Delegacia de Infância e Juventude (Diju) envolvendo a adolescente. Porém, como a garota na época tinha menos de 14 anos, a averiguação foi por atentado violento ao pudor.

Na época, um inquérito foi instaurado na DDM, onde Silva foi indiciado indiretamente pelo crime. “O inquérito foi concluído. Todas as pessoas foram ouvidas e ele foi indiciado por atentado violento ao pudor, mas nunca foi encontrado para apresentar sua versão. Tentamos de todas as maneiras localizá-lo, mas ele estava fora da cidade”, explica a delegada Marilda Pinheiro.

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‘Antes ele do que eu’

O servente de pedreiro Vilson Mailon Soares da Silva, conhecido por “Zoró”, 19 anos, confessou o homicídio de forma tranqüila. “Justiça foi feita. Antes ele do que eu”, disse. Para ele, Silva além de estuprar sua namorada, ainda queria impedir que ele a namorasse. “Ele estava me ameaçando porque queria a menina para ele”, disse à reportagem.

De acordo com “Zoró”, sua namorada espera um filho de Silva. “O filho que ela espera é dele, não é meu não”, frisou. O rapaz argumentou que pretendia tirar a namorada da casa, já que Silva tinha voltado a viver com a mãe dela.

“Eu fui buscar ela para ir à escola. Ele ameaçou pegar o revólver na cintura e eu pequei o meu primeiro. Disparei quatro tiros, três acertaram. Esta arma eu comprei em São Carlos onde eu estava trabalhando. Paguei R$ 400,00. Precisava me defender”, disse.

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