Tribuna do Leitor

Um representante para o magistério


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Reassumi, no dia 20 de fevereiro, pelo restante do tempo da atual legislatura, uma cadeira na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Voltei àquela Casa com o mesmo empenho e com as mesmas esperanças que conduziram meu trabalho nos quatro meses em que lá estive, no ano passado: acreditar que o progresso do povo e da Nação reside na educação de toda a população, e que isso somente se conseguirá, em sua plenitude, por meio do professor, que precisa ter seu trabalho reconhecido, que precisa ser estimulado, orientado e ajudado.

Não me esquecerei, também, daqueles que, hoje aposentados, dedicaram os melhores anos de suas vidas ao esforço educacional, que possibilitou o progresso que conseguimos em todos os campos. No exercício da presidência de nossa entidade senti a dificuldade para se obter a solução dos problemas que surgem no cotidiano dos que militam na área da educação. Existem, muitas vezes, barreiras que um dirigente de associação não consegue superar. Aqueles que têm as reais condições de decidir são poupados pelas barreiras que a burocracia coloca entre eles e os que demandam, legitimamente, pela solução de seus problemas.

O desafio que se coloca, então, aos dirigentes das entidades para prosseguir buscando o atendimento às reivindicações de seus representados é, justamente, o de tentar transpor essas barreiras. O grande equívoco dos governantes está em dirigir as suas ações com base, exclusivamente, nos dados que lhes são repassados pela burocracia.

As informações que chegam ao governante passam, via de regra, pelos filtros de cada camada da estrutura burocrática, sempre interessada em demonstrar, aos seus superiores, que o mar é de almirante e o céu, de brigadeiro. Ou seja, que não existem problemas em suas áreas, ou, se algum existe, está sob o mais absoluto controle. Já as entidades representativas dos servidores são a verdadeira caixa de ressonância dos anseios das diversas categorias. As informações e as demandas que elas apresentam, essas sim, não têm nenhum filtro. São o retrato fiel da realidade que nem sempre é bonita ou agradável aos olhos e ouvidos dos que detêm o poder.

Portanto, o caminho que as categorias profissionais devem trilhar, para se fazerem ouvir, é o de colocar seus dirigentes em condições políticas de lutar por seus direitos, utilizando-se dos meios que a democracia nos proporciona. E isso se consegue por meio do voto e exige determinação, confiança e união. A caminhada é difícil, mas precisa ser encetada se quisermos conseguir justiça e reconhecimento.

Com o meu retorno, o Centro do Professorado Paulista (CPP) volta a ter voz naquela Casa e usará essa prerrogativa com a ética que sempre marcou suas atividades, ao longo de seus 75 anos de existência: apresentar soluções, pleitear justiça e oferecer cooperação. Evidentemente, não deixaremos de nos interessar pelos demais problemas que necessitam de solução, e que afligem a toda a sociedade, mas nosso enfoque principal será a figura do nobre professor paulista, cujo trabalho, ao longo de todo o século passado, ainda não teve o reconhecimento merecido.

Deposito nos mestres paulistas a confiança de que continuarão dando o seu melhor para que nosso Estado continue sua ascensão de progresso, formando gerações preparadas para enfrentar os desafios que o futuro trará, em todos os campos da atividade humana. E isso, como é evidente, somente se conseguirá com uma escola de qualidade, a que todos, sem exceção, tenham acesso.

Palmiro Mennucci - presidente estadual do CPP

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