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Pela paz entre carros e motos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

É uma “guerra” que parece não ter fim nem vencidos e vencedores. Enquanto motos e carros disputam “a tapa” os espaços nas ruas e estradas, os riscos - e os próprios acidentes - aumentam na mesma proporção da troca de acusações entre motoristas e motociclistas. Mas com pequenos cuidados na hora de dirigir e maior conscientização para respeitar as leis, é possível tornar essa convivência mais pacífica e o trânsito mais seguro.

Nessa “batalha”, difícil é estabelecer quem está com a razão. Os motoristas criticam os “motoqueiros” por andarem em velocidade excessiva, principalmente nos “corredores” formados entre os automóveis, “costurarem” entre os carros e efetuarem ultrapassagens pela direita. Já os motociclistas, por sua vez, reclamam dos “pilotos” ao volante pelo fato de não respeitarem as motocicletas, fechando-as a todo instante e praticamente ignorando sua presença no tráfego.

Mas se não há culpados ou inocentes nessa história, a lei do bom senso deve prevalecer entre motoristas e motociclistas. Ambos podem modificar ou adotar hábitos em nome da segurança e do respeito recíproco no trânsito. O sargento Silvio Rossi, da 1ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, explica que, legalmente, as motocicletas não são proibidas de trafegar nos “corredores” entre os automóveis. “No entanto, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) exige que elas ocupem o mesmo espaço de um carro”, ensina. “O posicionamento correto, além de evitar os “duelos” com os veículos, colabora para evitar acidentes. Cerca de 70% dos problemas nas vias com motos ocorrem devido ao seu posicionamento incorreto”, acrescenta o sargento Aparecido Bento.

O piloto bauruense Marcel Sona Cardoso segue o mesmo raciocínio e orienta que, seja em ruas ou estradas, as motos devem permanecer no centro da faixa onde estiverem andando e atrás dos carros, como reza o CTB. “Só isso já é capaz de evitar uma série de transtornos e perigos. Andar muito próximo ao acostamento das rodovias ou do calçamento das ruas favorece com que os automóveis passem ou tentem ultrapassagens muito perto das motos, aumentando o risco de acidentes. Além disso, o motociclista fica sem espaço seguro para escapar ou parar se avistar um buraco ou desnível ou furar um pneu”, alerta.

Entretanto, mesmo sendo muito mais perigoso e arriscado, os motociclistas que quiserem aproveitar a prerrogativa legal de poder rodar entre os automóveis devem tomar precauções. “Se eles passassem por lugares estreitos com a devida segurança levando em conta os riscos dessas situações e tendo o cuidado de andar em velocidade moderada e fazer de tudo para ver e ser visto, certamente os acidentes com motos diminuiriam muito. Os motociclistas precisavam se conscientizar disso, pois têm muito mais a perder em um acidente do que os carros”, adverte o piloto. E complementa:

“Agindo assim, o motociclista só sairá ganhando, pois caso seja fechado por um carro, por exemplo, terá tempo de reação suficiente, seja para parar ou desviar. As motos que trafegam em velocidade excessiva ficam ainda mais vulneráveis no trânsito, pois entrarão mais facilmente nos pontos cegos dos automóveis. E uma boa dica para saber se o motorista viu a moto é olhar diretamente para o condutor e os retrovisores dos veículos.”

Além disso, Cardoso recomenda atenção redobrada aos motociclistas na hora das ultrapassagens. “O ideal é executá-las sempre após os cruzamentos, esquinas ou conversões, que são pontos críticos de trânsito, e nunca pela direita, pois assustará o motorista e estará em uma condição que será sempre mal visto pelo condutor do carro”, frisa.

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