A venda de pão francês pode sofrer alterações em todo País neste ano. O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) propõe que as padarias comercializem o produto apenas por peso e deixem de vendê-lo separadamente, com preço fixado por unidade.
A proposta poderá ser votada pelo consumidor dentro dos próximos 60 dias, no site do Inmetro (www.inmetro.gov.br). O objetivo é evitar perdas para quem compra e também para quem vende o pão. Fiscalização feita pelo Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem) nesta semana, na Capital, constatou que na maioria dos estabelecimentos visitados o pãozinho, que deveria ter 50 gramas, pesava 43 gramas.
Em Bauru, entre as 140 panificadoras existentes, menos de dez, segundo o Sindicato da Panificação, comercializam o produto por peso, procedimento feito na frente do cliente. Atualmente, o pãozinho pode ser vendido pelas duas modalidades, mas o Inmetro permite que cada estabelecimento opte apenas por uma delas.
O consumidor bauruense demonstra preferência pelo sistema tradicional de compra do pãozinho, ou seja, a venda unitária. O proprietário de uma panificadora localizada na avenida Duque de Caxias, Gustavo Lima, comercializa o produto sem a balança. Para ele, a modalidade de pesagem é mais justa para o consumidor e para o comerciante. Porém, seus clientes preferem comprar o pãozinho por unidade.
“A venda por quilo permite ao consumidor pagar realmente a quantidade que leva. Quando paga mais, leva mais, e quando paga menos, leva menos. Entretanto, minha clientela está acostumada com pão grande. Seu eu fizer um pão pequeno, corro o risco de perdê-la”, comenta Lima.
O empresário conta ainda que, nas duas últimas fiscalizações do Ipem feitas em seu estabelecimento, foi constatado que o pão francês vendido com peso divulgado de 50 gramas pesava, na verdade, 70 gramas na primeira checagem e 63 gramas na segunda.
Lima contabiliza perda de 200 pães por mês, devido ao excesso no peso de cada um. Segundo ele, em sua padaria são comercializados cerca de 2.500 unidades por dia. Neste estabelecimento, o pãozinho é vendido a R$ 0,25.
A venda do produto por peso é adotada por uma panificadora situada na rua Rio Branco. O gerente de vendas do estabelecimento, Alexandre Gonçalves Módolo, diz que aderiu à modalidade há três anos, a fim de oferecer, principalmente, um produto com mais qualidade.
Ele lembra que, na época, a mudança gerou insatisfação entre os clientes. Atualmente, a clientela está habituada e não aceita a venda unitária, comenta.
“De qualquer forma, vender o pão por peso, na minha opinião, é a forma mais justa. Vender por unidade só tem a vantagem do cliente saber exatamente o quanto vai pagar pelo pão”, observa.
Módolo vende o produto em sua padaria por R$ 5,00 o quilo. Cada pãozinho, informa ele, pesa em média 50 gramas e custa R$ 0,25. Diariamente, são comercializados no estabelecimento 130 quilos de pão francês. A maioria dos clientes compra quatro pães por dia, o equivalente a 200 gramas ao custo de R$ 1,00.
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Ipem
Para o chefe de divisão técnica do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) em Bauru, Luiz Antônio Brizzi, a pesagem do pão francês é uma alternativa de venda mais justa, tanto para consumidores quanto para as padarias.
“O padeiro pode fazer o pão maior num dia e menor em outro. Assim como ele pode estar auferindo lucro indevido, também pode estar tendo prejuízo. Por isso, considero a venda por peso mais justa”, ressalta.
José Guedes, membro da diretoria do Sindicato da Panificação em Bauru, discorda de Brizzi. De acordo com ele, essa sistemática prejudica o consumidor.
“Com a venda por quilo, quem perde é o consumidor. Por unidade, o cliente ganha, porque o pão sempre passa um pouquinho dos 50 gramas, peso exigido para o produto. Sem falar que pesar pão dá muito trabalho, principalmente para calcular os gramas”, justifica.