Nacional

PF preservará nomes de suspeitos de quebrar o sigilo de Francenildo

Por Da Redação | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O advogado da Caixa Econômica Federal (CEF) Jailton Zanon afirmou ontem, ao deixar a Polícia Federal (PF) em Brasília, que os dois nomes encaminhados à PF referem-se aos usuários do computador usado para quebrar o sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Não seriam necessariamente eles os responsáveis pela violação do sigilo. “A informação que a Caixa passou foi dos usuários da máquina. Por enquanto só isso”, afirmou Zanon. Ele acrescentou que a comissão de sindicância da instituição continua com as investigações para identificar os responsáveis pela ilegalidade.

A PF tomou a decisão de não divulgar os nomes dos dois envolvidos até que as investigações avancem e hajam provas materiais de que foram esses os funcionários que tiraram o extrato bancário do caseiro. “Não serão divulgados os nomes dos servidores para preservar a intimidade e garantir o direito a ampla defesa e ao contraditório”, afirmou a assessoria da Polícia Federal.

Segundo o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, a PF não compactuará com a tentativa de transferir responsabilidades exclusivamente a pessoas de menor importância na cadeia de comando e que, portanto, não possuam poder decisório. Um dos suspeitos recebeu a intimação anteontem à noite e deverá depor ainda ontem. O outro, de acordo com a Caixa, não está em Brasília e, por isso, só deporá quando retornar.

O presidente da Caixa, Jorge Mattoso, já intimado uma vez a depor, seria novamente notificado ontem. Como é a segunda intimação, se ele não comparecer, na próxima será conduzido à PF. Reunião técnica Ontem pela manhã, outros dois funcionários da Caixa, Marcos César Casali, presidente da comissão de sindicância que investiga a quebra de sigilo, e Delfino Natal, gerente de Segurança da Informação da Caixa, acompanhados dos dois advogados da instituição, Zanon e Elton Nobre, participaram de uma reunião técnica com peritos de informática da Polícia Federal.

A PF informou que a máquina usada para retirar o extrato do caseiro estaria fora de Brasília, mas que a Caixa teria se comprometido a passar as informações do equipamento ainda ontem. O sigilo do caseiro foi quebrado após seu depoimento à CPI dos Bingos. Ele afirmou à comissão ter visto o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, várias vezes na casa alugada em Brasília pelos seus ex-assessores na Prefeitura de Ribeirão Preto.

A CPI suspeita que a casa era usada para negociatas envolvendo integrantes do governo e festas com prostitutas. Apesar de ter sido vítima da quebra ilegal de sigilo bancário, Francenildo passou a ser investigado pela Polícia Federal e pelo Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Responsável pela investigação que apura o culpado pela quebra ilegal do sigilo, a PF solicitou para a Justiça a abertura dos sigilos telefônico e bancário do caseiro. Já o Coaf, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, investiga a possível lavagem de dinheiro por parte de Francenildo. O Coaf recebe dos bancos comunicação sobre movimentações financeiras consideradas atípicas.

Inquérito ilegal

O Ministério Público Federal em Brasília pediu ontem à Justiça Federal a suspensão parcial do inquérito, instaurado na última terça-feira pela PF, no qual Francenildo dos Santos Costa é tratado como vítima e suspeito.

No entendimento dos procuradores Gustavo Pessanha Velloso e Lívia Nascimento Tinôco, a investigação relativa à lavagem de dinheiro é ilegal. Ainda conforme os procuradores, “a hipótese de que Francenildo dos Santos (Costa) tenha agido como laranja não é factível”.

Comentários

Comentários