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Para bauruense, espaço não é o limite

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 3 min

Os olhos incrédulos do menino de 6 anos de idade custaram a acreditar no que viam. Assim como para muitos brasileiros, as imagens do homem pisando pela primeira vez na Lua estavam mais próximas da ficção do que da realidade. Na próxima quarta-feira à noite (horário de Brasília), Marcos César Pontes estará viajando rumo ao espaço, como o primeiro astronauta brasileiro.

O lançamento da Soyuz TMA-8 à (ISS) com a 13.ª tripulação (ISS-13) será no dia 30 de março. A bordo estarão o russo Pavel Vinogradov e o americano Jef-frey Williams, que ficarão seis meses na ISS, e Marcos Pontes, que regressará à Terra oito dias depois.

A trajetória de Pontes começou como a de milhões de brasileiros, que nascem em famílias humildes de cidades do Interior.

Veio ao mundo na noite de 11 de março de 1963, em Bauru, na rua Comendador Leite 1-23, pelas mãos de uma parteira. Filho do funcionário do Instituto Brasileiro do Café (IBC), Virgílio de Pontes e da funcionária da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), Zuleika Navarro Pontes (já falecida), teve uma infância simples, sem nada de extraordinário: jogava bola na rua, subia em árvores para apanhar frutas, nadava no rio Batalha e estudava.

Os dois irmãos, Rosa Maria e Luiz Carlos, tinham 10 e 13 anos, respectivamente. Com os pais trabalhando fora o dia todo, Rosa era a encarregada de cuidar do bebê. “Era a minha boneca, tomava todos os cuidados, mas eu era uma criança”, conta. “Ia brincar no quintal e levava ele comigo”. A irmã se transformou numa espécie de segunda mãe de Marcos. Até hoje tem pressentimentos de genitora. “Se ele está com algum problema sério, eu sinto. Tenho que ligar para ele”, afirma.

O interesse de Marcos por aeronaves começou a despontar por volta dos 5, 6anos. O menino adorava desenhar aviões. O irmão Luiz Carlos guarda até hoje um caderno com seus desenhos. “Se ele ouvia um avião, saía correndo para ver”, lembra Rosa. Aos 10 anos ele já falava que queria ser piloto.

Enquanto sonhava com o dia que poderia pilotar uma daquelas máquinas, Marcos contentava-se com as visitas ao Aeroclube de Bauru para ver a Esquadrilha da Fumaça. Luiz Carlos lembra das tardes que o levava, na garupa da bicicleta, para ver os aviões pousarem e decolarem. “Eu gostava muito e levava o Marcos comigo”, lembra.

Foram marcantes também, para os irmãos, as visitas à Academia da Força Aérea (AFA), onde o tio Oswaldo Canova servia como membro da equipe de manutenção de aeronaves. Nas palavras do próprio Marcos em seu site: “Decolava ali, entre a poeira levantada pelos motores dos T/6 no estacionamento do aeroclube e o cheiro de combustível de aviação nos hangares da AFA, o sonho de voar que me sustenta nessa jornada até hoje”.

Muito ativo, como recorda o pai Virgílio, começou a trabalhar cedo. Sempre perseguindo o sonho de voar. Sonho que acabou abraçado por toda a família, segundo o irmão Luiz Carlos. Aos 14 anos inscreveu-se no curso de formação profissional da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Fez os exames, passou e iniciou o curso de eletricista. À noite fazia o curso de técnico em eletrônica no colégio profissionalizante Liceu Noroeste.

O garoto começava a dar os primeiros passos para tornar realidade seu sonho.

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