Esportes

Medo de obstáculos ofusca expectativa

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

Último ano de faculdade. A sensação deveria ser de tarefa cumprida, pelo menos quanto aos estudos. Afinal, foram pelo menos 16 anos de escola entre a educação fundamental e superior. Mas é a angústia que toma conta, segundo Fernanda Martins, 22 anos. A expectativa de exercer a profissão para qual se preparou é ofuscada pela preocupação com os diversos obstáculos a serem vencidos ainda.

Fernanda afirma que entre suas preocupações como futura recém-formada estão a exigência de experiência, falta de reconhecimento do profissional, impossibilidade de independência financeira no início de carreira, devido a baixa remuneração do recém-formado.

Para seu futuro imediato, a estudante vislumbra duas opões, ambas não muito animadoras: de um lado os concursos públicos que exigem um tempo além da faculdade de preparação em função da alta concorrência, e de outro lado o mercado privado saturado, que quando apresenta uma oportunidade, a remuneração é muito baixa.

Diante desta realidade, a estudante afirma que o jovem tem duas saídas: ou se entrega ao desânimo, ou investe nos estudos, participa de congressos, simpósios, faz estágios, para ter um diferencial ao entrar no mercado trabalho. A estudante fez a segunda opção, mas afirma que mesmo assim não se sente segura. “Sei que vou me formar, mas o futuro é incerto”.

Fernanda tem seus planos, vai prestar concurso público para delegada. A remuneração não é das melhores, segundo ela, mas assim mesmo, escolheu seu destino profissional com base na vocação e não na demanda do mercado. “Pude me dar ao luxo de fazer essa opção, porque tenho respaldo financeiro. Se não fosse isso, teria que repensar minha vida e minha carreira”.

Dura realidade

Jordani da Silva Santos, 16 anos, vive uma realidade bem diferente. O pai sustenta os cinco filhos trabalhando como pedreiro. A mãe, dona-de-casa, também é artesã. A vida é dura para a família que mora na Pousada da Esperança 2, periferia de Bauru.

O jovem afirma que pensa muito na situação do Brasil, na falta de oportunidades, não só para a juventude, mas também para as crianças. “Penso sempre nisso, tínhamos que ter mais esporte, lazer, emprego, educação, saúde”, afirma. A consciência da dura realidade brasileira não obscurece o desejo do garoto.

“Vou ser jogador de futebol. Sei que é difícil, tenho que lutar bastante, mas vou conseguir”, afirma. “A vida não está fácil, mas sou bastante otimista”. Bruno Pereira Maia, 14 anos, também morador da Pousada da Esperança 2, quando pensa no futuro se imagina “rico e jogando bola”.

A concretização deste desejo, segundo Bruno, depende de estudo e trabalho. Aos 14 anos, não está estudando. “Parei, mas vou voltar”, diz. Quanto ao trabalho, o garoto não tem muitas ilusões. “É difícil no Brasil, não tem emprego”.

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