Brasília - Psol, PSTU e PCB negociam a formação de uma frente reunindo os partidos da “esquerda socialista brasileira” e movimentos sociais, para enfrentar PT e PSDB nas eleições presidenciais. Os principais objetivos dessa frente seriam dar suporte à candidatura da senadora Heloísa Helena (Psol-AL) à Presidência e quebrar a polarização entre petistas e tucanos, além de conquistar eleitores descontentes com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “A melhor forma de apresentar e construir uma alternativa de esquerda nas eleições é unindo as diversas forças da esquerda socialista brasileira”, disse o presidente do PSTU, José Maria de Almeida.
Em convenção no último dia 12, o PSTU aprovou a composição de uma chapa com o Psol e o PCB. A proposta foi enviada à direção do Psol. O PSTU, segundo Almeida, aceita apoiar a senadora, mas reivindica a vaga de vice. O deputado Ivan Valente (SP), membro da Executiva Nacional do Psol e vice-líder do partido na Câmara, disse que a aliança com o PCB está praticamente fechada, mas o acordo com o PSTU ainda não foi consolidado. Segundo ele, a prioridade era uma aliança com o PDT no plano nacional, que renderia mais tempo de propaganda na televisão.
Uma proposta era ter o senador Jefferson Péres (PDT-AM) como vice de Heloísa Helena. Mas, com a confirmação da verticalização, que exige a repetição da coligação nos Estados, um acordo com pedetistas se tornou improvável. “O PDT nacionalmente é uma coisa, tem um projeto. Nos Estados, tem algumas características contraditórias ao programa e à ideologia do Psol. Em São Paulo, por exemplo, seria impossível uma aliança com o Paulinho da Força (presidente da Força Sindical e do PDT paulista)”, disse.
Para a disputa nos Estados, o Psol tem três nomes definidos: o ex-deputado Milton Temer (RJ), o ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues (PA) e o economista Plínio de Arruda Sampaio (SP), dos fundadores do PT. Sampaio disse apoiar as alianças com PSTU e PCB. Para ele, a criação da frente contribui para mostrar as diferenças entre propostas da esquerda e da direita. A reportagem tentou ouvir Heloísa Helena. A pedido da senadora, um e-mail com as perguntas foi enviado a ela. Até o fechamento da edição, não houve resposta.
Plínio de Arruda Sampaio deve ser candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo Psol, para onde migrou em setembro. Sampaio, que já disputou o governo de São Paulo pelo PT, em 1990, enfatiza que a pré-candidatura ainda é uma sugestão ao partido.
Até abril, o Psol deve anunciar o resultado da consulta às bases, que decidirá se Sampaio deve ser candidato ao governo e a senadora Heloísa Helena, candidata à Presidência. Sampaio diz que não será “nada agradável” enfrentar o PT por ser um de seus fundadores.