“Se eu pudesse pedir uma coisa para o Dia do Circo, pediria que as autoridades valorizassem a cultura circense e nos recebessem melhor. Escutamos muitas reclamações de cidades que não fornecem apoio para a instalação de circos e, a mais citada, é Bauru”, lamenta o diretor proprietário do circo escola e vice-presidente da Abracirco, José Wilson Moura Leite, que ainda aponta a lei municipal nº 4.836, de 22 de maio de 2002, de Bauru - que proíbe o uso de animais em circo - como um fator que desestimula a vinda de espetáculos para a cidade. “Os artistas sabem que vão encontrar resistência. É preciso mudar esse pensamento”.
Para ele, o uso de animais deveria ser permitido desde que houvesse uma fiscalização para impedir maus tratos. “Tem muitas crianças que só conheceriam um leão, ou um camelo, por meio do circo”, cita.
Além desse questionamento, Leite critica os impostos cobrados por muitas cidades para a instalação do circo. “As cidades deveriam oferecer um espaço com infra-estrutura para a instalação do circo, porque as autoridades não notam que o circo leva cultura, movimento e empregos temporários à cidade”.
Para conscientizar os governantes, a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e a Abracirco editaram uma cartilha para orientar os municípios a receber as empresas circenses. Intitulada “O Circo e a Cidade”, a cartilha traz informações sobre a história do circo no País e também orienta como deve ocorrer essa relação entre ambos.
Outra luta encabeçada por Moura é contra a discriminação da classe artística. “Não temos o mesmo respaldo jurídico que outros profissionais. Mas a Abracirco apresentou um projeto de lei no Senado, por meio de um deputado federal, para que sejamos contemplados com as leis trabalhistas, além de outras garantias”, afirma.
O secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, concorda que a cidade deveria oferecer uma infra-estrutura adequada para a instalação dos circos.
“A cultura circense é a manifestação da tradição do povo brasileiro que precisa ser preservada. Eu penso em utilizar a área de concentração do Sambódromo para esse fim mas desde que estou na administração, não recebi nenhuma demanda”.
Vinagre ainda aponta a criação, no ano passado, da Câmara Setorial de Circo pelo governo federal como um fator importante para a preservação da cultura circense. “Trata-se de um instrumento de relação importante entre a classe artística e as instâncias do governo. É um sinal de que o circo está voltando a ser valorizado”.
Mas, quanto ao uso de animais no circo, o titular discorda de Moura. “É muito difícil fiscalizar se o circo maltrata ou não animais. Além disso, na concepção moderna, o circo desenvolve um trabalho mais artístico, corporal. As crianças que quiserem conhecer os animais, podem visitar o zoológico”, sugere.