Bairros

‘Descartáveis’ afetam barbeiro e alfaiate

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 2 min

Atualmente, as coisas duram pouco por que assim quis o consumidor ou por que o mercado impôs esta forma de consumo? Assim como tantas outras questões, esta é uma pergunta sem uma resposta precisa. O importante neste debate é que muitas pessoas viram seus ofícios perderem o fôlego com a chegada dos produtos “descartáveis”.

O alfaiate Mauro Ribeiro Cabogrosso, 68 anos, explica que hoje é possível comprar um terno pronto por R$ 80,00 ou R$ 100,00. Já para fazer um sob medida é preciso despender quase quatro vezes esse valor. “O homem deixou de se vestir bem. Qualquer coisa serve. Quanto tempo será que dura um terno de R$ 80,00? Com certeza, muito pouco. Hoje é tudo descartável”, afirma.

Outro que viu seus serviços minguarem por conta dos descartáveis foi o barbeiro José Bezerra, 70 anos. No ofício há 32 anos, ele explica que a chegada dos barbeadores descartáveis ao mercado “matou” o ofício. Os próprios clientes dele exigem o uso de lâminas descartáveis. “Bons tempos aqueles da navalha. O salão era um local de encontro dos homens para bater papo, falar sobre política. Agora, são poucos os que vêem fazer barba aqui”, lamenta.

Bezerra, que tem um salão no Parque Vista Alegre, aprendeu o ofício com o pai, que era barbeiro. O filho e a filha dele também enveredaram pela profissão, mas foram para o ramo dos cabelos. “Cabeleireiro tem futuro, mas barbeiro já está acabando”, ressalta.

“Até as panelas são descartáveis, ou melhor, não são feitas para durar. Como utilizam materiais ruins, acabam vendendo barato, mas ainda tem um pouquinho de serviço pra mim”, comenta o desamassador de panelas, Alcides de Moura, 58 anos. Ele ficou desempregado durante quase um ano e começou a ajudar um amigo a desamassar panelas. Aprendeu bem o ofício e nunca mais parou.

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