Saúde

Otites variam de acordo com estações

Folhapress*
| Tempo de leitura: 3 min

O verão chega ao fim e começam a cair os casos de otite externa, uma infecção na parte externa do ouvido freqüente nessa época em razão da umidade. Mas, com a chegada do outono e do inverno, um outro tipo de doença aparece mais: a otite média.

A infecção ocorre atrás do tímpano e acontece mais no frio porque é quando problemas como gripe, coriza, sinusite, rinite e alergias respiratórias têm maior incidência. Do nariz atingem a tuba auditiva e chegam ao ouvido médio. “Os processos inflamatórios e infecciosos de via aérea pioram nos meses de frio porque as pessoas ficam em ambientes mais fechados’’, diz o chefe do departamento de Otorrinolaringologia da Unicamp, Agrício Crespo.

A doença atinge, principalmente, as crianças e pode ter outras causas. Nos bebês que costumam mamar deitados, há o risco de o leite escorrer para o nariz e contaminar o ouvido. O crescimento exagerado da adenóide também pode causar a otite média, ao tampar a tuba auditiva. Para resolver esse problema é preciso cirurgia.

Por outro lado, a otite externa é a vilã do verão. Os banhos de piscina ou mar, tão bons para aplacar o calor de 30C, são inimigos dos ouvidos. Isso porque o excesso de água dissolve a cera que funciona como protetora contra bactérias e fungos. Desprotegido, o ouvido é atacado por microorganismos e ocorre uma infecção.

“A otite externa aumenta porque essa época tem os fatores que favorecem a infecção no ouvido: calor, contato com a água e excesso de manipulação. Ocorrem até três vezes mais casos nessa época’’, diz Yotaka Fukuda, professor livre-docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Os especialistas são unânimes em apontar um outro inimigo dos ouvidos: o cotonete. Segundo eles, além de retirar a cera protetora e causar fissuras que aumentam as chances de uma infecção, há o risco de perfuração do tímpano. “O cotonete foi feito para limpar nariz de criança nos Estados Unidos. O brasileiro pegou o costume de enfiar no ouvido. A orelha você limpa até com caco de telha, mas no canal do ouvido não se mexe’’, diz o professor da Unifesp e otorrinolaringologista do Cema Paulo Emmanuel Riskalla.

A doença pode causar problemas graves especialmente em diabéticos, quando agentes de infecções mais agressivas atacam o ouvido do paciente já debilitado.

Para quem não consegue ficar longe da água o melhor é usar tampão de silicone e secar a orelha apenas com a ponta da toalha. Quando surgirem os sintomas, procure um médico. Na maior parte dos casos, o tratamento é simples, com remédios em gotas.

Perguntas e Respostas

1- Como evitar a otite externa?

Quando a pessoa pratica natação com freqüência, é aconselhável o uso de tampão de silicone, para impedir a entrada da água. Para secar o ouvido, coloque o dedo na toalha e vá até onde der. O cotonete pode ser usado por fora, mas não dentro do ouvido.

2- Qual a diferença entre otite externa e média?

A otite externa acontece principalmente no verão, do lado externo do ouvido, em razão da presença de agentes infecciosos. A otite média, quando a inflamação fica atrás do tímpano, ocorre mais no inverno por causa de problemas no nariz, como sinusite ou coriza.

3- Que outros fatores podem causar dor?

A dor de ouvido pode ser reflexo de problemas na articulação temporo-mandibular (ajuste da mordida) ou de alguma inflamação no dente. A otite média também pode ser causada por problemas de pressão dentro da caixa do tímpano e no exterior. Isso acontece, por exemplo, na aterrissagem do avião ou na descida da serra.

*Constaça Tatsch

Comentários

Comentários