Regional

Vereador é suspeito de contravenção

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Iacanga – Após dois meses de investigação, a Polícia Civil de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) conseguiu fechar na sexta-feira passada uma banca do jogo do bicho que funcionava no Centro da cidade. Duas pessoas foram presas em flagrante, mas o responsável pela banca continuava desaparecido até ontem à tarde.

O principal suspeito é o vereador Ronaldo Ruffato (PPS), membro da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de Iacanga. Os outros dois acusados são Amilton da Costa Barbosa e Antônio Gilmar Pereira. Ambos foram detidos em flagrante e vão responder a Termo Circunstanciado.

Como o jogo do bicho não é considerado um crime, mas uma contravenção penal, em caso de condenação, eles devem ser punidos com prestação de serviço à comunidade e fornecimento de cestas básicas a instituições de caridades. Todos responderão em liberdade. A mesma pena é aplicada também àqueles que são flagrados fazendo a aposta.

O JC procurou o vereador para comentar a acusação, mas ele não foi localizado. Segundo informação passada à reportagem, estaria viajando. Foi tentado contato por telefone celular, mas a ligação caía na secretária eletrônica. Apesar do recado deixado, Ruffato não havia retornado a ligação até o início da noite de ontem.

A participação dele na contravenção não foi confirmada pela polícia, mas segundo apurou a reportagem, o vereador mantinha a banca do jogo do bicho em um escritório no Centro da cidade. Os policiais foram até o local na sexta-feira, mas as portas estavam trancadas. No entanto, antes mesmo da polícia conseguir um mandado judicial para entrar no escritório, as chaves foram entregues.

Segundo foi informado ao JC, antes do vereador viajar ele teria deixado as chaves com a pessoa que acabou entregando-as à polícia. Antes de ir até a banca, os policiais apreenderam farto material do jogo do bicho em um ponto de aposta, que funcionava dentro de um bar, também no Centro. O flagrante foi feito por volta do meio-dia.

Estabelecimento lacrado

O estabelecimento, segundo informou o delegado Kleber de Oliveira Granja, funcionava sem alvará. Por esse motivo, a delegacia solicitou o fechamento do bar e o estabelecimento acabou lacrado pelo serviço de fiscalização da prefeitura.

De lá, os policiais foram até um outro ponto, onde supostamente era feita a captação dos jogos e do dinheiro gerado pelas apostas. O agente captador é quem, muitas vezes, faz o pagamento aos sorteados. Sua principal função é não expor a banca nem o responsável por todo o esquema.

Um dos detidos, Amilton da Costa Barbosa, segundo apurou a reportagem é reincidente nesse tipo de acusação. Além dele e de Antônio Gilmar Pereira, outros coletores de apostas poderão ser identificados pela polícia. No meio da documentação apreendida existem registros de contabilidade que demonstram a participação de outros coletores.

Foi recolhida também uma moto Honda NX, que, segundo a polícia, era usada na captação das apostas em diferentes pontos da cidade. Por várias vezes, o delegado conta que viu um dos acusados trafegando pela cidade com a moto, que pertence ao suposto dono da banca.

Além dela, foi apreendida uma pequena quantidade em dinheiro, cerca de R$ 205,00. Na banca havia apenas uma cédula de R$ 2,00 anexada a uma folha de aposta.

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Nada oficial

O presidente da Câmara Municipal de Iacanga, Carlos Francisco Abdalla (PP), disse ontem que, por enquanto, o Legislativo não vai se pronunciar sobre a denúncia contra Ronaldo Ruffato (PPS) porque não existe nada oficial.

Mesmo que a polícia comprove que o vereador está realmente envolvido com o jogo do bicho, será necessária uma denúncia ou representação de algum morador para iniciar qualquer procedimento contra Ruffato.

“Estou aguardando. Até agora não recebi nada. Por enquanto, o que eu fiquei sabendo (sobre o suposto envolvimento do vereador) foi só através de comentários”, disse Abdalla.

“Mesmo que não tenha nada oficial, que seja tudo boato, se houver representação contra o vereador, a nossa obrigação é investigar”, comentou o presidente da Câmara para emendar em seguida que, por ora, não há nada a ser feito.

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