São Paulo - Sob pressão do comando do PSDB, e 24 horas depois de negar que afastaria seu assessor de Comunicação, Roger Ferreira, o governador Geraldo Alckmin exonerou o auxiliar, apontado em reportagem da “Folha de S.Paulo” anteontem, como um dos coordenadores do direcionamento de recursos da Nossa Caixa para favorecer veículos mantidos ou indicados por deputados estaduais da base aliada.
No início da tarde, após receber o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, Alckmin defendeu Ferreira, que chegou a enviar a parlamentares do partido um texto em que rebatia as acusações. Na carta em que solicita a exoneração, Ferreira diz que nada fez “que ferisse os ditames da ética e do espírito público” e que não permitiria que sua presença no governo se transformasse em “pretexto para provocar desgastes injustificáveis” à candidatura de Alckmin à Presidência.
Segundo tucanos, Tasso recomendou que Alckmin fizesse um contraponto ao governo Lula, mostrando que não hesita em momentos de crise. Prevaleceu ainda a idéia de que a saída de Ferreira seria ofuscada pela queda do ministro Antônio Palocci.
Após duas horas de conversa, Tasso até concordou com a necessidade de mais investigação. Ele incentivou Alckmin a falar à imprensa: “Não existe nada que possa ser comprometedor em relação à ética ou à atitude do governador Alckmin. Ele mesmo está aqui para responder. Ele não se esconde”.
Alckmin afirmou, então, que gostaria de fazer “um reparo sobre o que o jornal publicou ontem (anteontem)”. “Já houve a investigação, quem fez foi o governo, a própria Nossa Caixa, que abriu uma comissão de sindicância. Ela remeteu ao Ministério Público, ela remeteu ao Tribunal de Contas e ela demitiu, por justa causa, o responsável pela área. Então, o governo já tomou as providências”, afirmou.
Alckmin também alegou que os e-mails obtidos pela “Folha de S.Paulo” não eram de integrantes do governo: “Empresa terceirizada não fala em nome do governo”. Questionado sobre os e-mails de Ferreira, argumentou: “Não, o dele não pede para absolutamente ninguém. Ninguém, ninguém, ninguém. (Não há) nenhuma ingerência política”. “Se eu citar você (num e-mail) quer dizer que isso é verídico?”, perguntou. “Nós já concluímos essa sindicância. Essa matéria que está no jornal é sindicância feita por nós. Se eu não fosse candidato, isso não viria para o jornal, mas, como eu sou candidato...”, disse.
Alckmin demonstrou impaciência ao comentar as declarações do deputado Afanázio Jazadji (PFL), de que teria negociado verbas publicitárias diretamente com o governador (leia texto nesta página). “Comigo, não. Ele nem esteve comigo e Afanázio Jazadji é da oposição, oposição 24 horas por dia”.
Alckmin disse que houve um “erro formal” da Nossa Caixa, ao não providenciar a prorrogação dos contratos com as agências de propaganda Full Jazz e Colucci. “Isso não foi feito. Quando a Nossa Caixa percebeu que houve um erro lá dentro, fez uma sindicância, demitiu o responsável, comunicou ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas”, disse.
O direcionamento da publicidade beneficiou os deputados Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo “Bispo Gê” Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB). Também foram favorecidos a Rede Vida, a Rede Aleluia de Rádio e a revista “Primeira Leitura”, criada pelo ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros (governo FHC), da qual se afastou em 2004.