Apesar do grande investimento em tecnologia feito recentemente, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru, ligado à Universidade Estadual Paulista (Unesp), corre o risco de não oferecer previsões do tempo no próximo verão, se a equipe não for recomposta e expandida. Atualmente, o instituto conta com apenas quatro meteorologistas e para operar os novos equipamentos em toda a sua capacidade, seriam necessários 10 especialistas, calcula Roberto Calheiros, diretor do IPMet.
Para melhorar o recebimento e transmissão de informações, os equipamentos do instituto foram modernizados no início de fevereiro. O receptor de dados foi digitalizado, assim, o IPMet detecta chuvas mais leves. O processador do sinal do radar também é novo. Segundo Calheiros, ele possui uma nova interface que permite mudanças no processamento. A unidade também recebeu novos computadores para controle. Mas a falta de funcionários pode levar a um subaproveitamento desse investimento. “Se não contratarmos ninguém até julho, não teremos tempo para treinar essa nova equipe, o que irá comprometer o atendimento para o próximo verão”, revela o diretor.
Com a aproximação do inverno, e conseqüentemente, a diminuição das chuvas, o trabalho do IPMet é reduzido, portanto, a população não corre risco imediato. Mas a medida que a temporada de chuva começar a se aproximar, a falta de meteorologistas dificultará a análise dos dados enviados pelo radar, comprometendo a qualidade da informação prestada.
“Calculamos um prejuízo de 30% no atendimento ao público”, calcula Calheiros. Segundo o diretor, o IPmet recebe cerca de 200 ligações ao dia durante o verão. “Hoje está dando para tocar, apesar de não estar na forma ideal. Mas se as condições se mantiverem dessa forma, temos que avaliar se vale a pena prestar as informações”, aponta o diretor.
Outro problema enfrentado pelo instituto é a falta de peças para reposição e recursos para a manutenção dos equipamentos. “Estamos com riscos de operação“, avalia Calheiros. Segundo o diretor, o radar de Bauru está operando normalmente, mas o de Presidente Prudente funciona com restrições. “Em caráter de emergência a Unesp importou algumas peças. Mas isso é paliativo”, conta. De acordo com Calheiros, a última vez que as peças foram compradas em grande quantidade, tornando o trabalho mais tranqüilo, foi no meio da década de 90. “Depois foram só compras esporádicas”, lembra o diretor.
Verba emergencial
Para contratar mais profissionais e comprar as peças de reposição para funcionar de forma adequada no próximo verão, o IPMet está buscando a verba necessária em todos as instâncias. Na semana passada, Calheiros acompanhou Estela Almagro, presidente do Partido dos Trabalhadores de Bauru, e o deputado federal João Paulo Cunha, a uma visita ao Ministério da Ciência e Tecnologia. E foi o ministro Sérgio Rezende quem sugeriu a alternativa de inserir a proposta da verba para o IPMet no orçamento da União para o ano que vem, já que ele ainda não foi aprovado.
Com isso, Almagro enviou a solicitação para a comissão temática que cuida do assunto. “As bancadas irão discutir as prioridades e entidades que serão beneficiadas, mas a proposta está sendo vista com bons olhos”, avalia a dirigente. Para Almagro, o IPMet é essencial para a região e não pode operar de forma inadequada.
“O prejuízo seria incalculável”, avalia. De acordo com Calheiros, a verba solicitada pela emenda será de R$ 2 milhões.