Um acidente ontem à tarde, na rodovia Marechal Rondon, em Bauru, causou uma tragédia em família. Mãe e filho foram atropelados ao tentar atravessar a estrada no quilômetro 338, próximo da Base do Policiamento Militar Rodoviário. Lucas da Silva, de 6 anos, morreu na hora. A mulher, Mônica Aparecida Camargo da Silva, 27 anos, ficou gravemente ferida.
Ela fraturou várias partes do corpo, inclusive a perna direita e o tórax, além de ter sofrido ferimentos no rosto. Foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e conduzida ao Hospital de Base de Bauru, onde foi submetida à cirurgia.
A mãe e o filho foram surpreendidos por um carro Celta azul, placas DDT 0284, de São Paulo, conduzido por Leandro Jorge Rosseti Soares, 22 anos, de Botucatu. No carro ainda estavam sua mãe, Roseli Regina Rosseti Soares, 58 anos, e uma criança. Eles seguiam no sentido São Paulo-Interior.
De acordo com informações do Policiamento Militar Rodoviário, as vítimas vinham do Jardim América, onde a mãe, acompanhada do filho, havia ido buscar a filha numa igreja. A garota já tinha deixado o local e a mulher retornou apenas com o filho.
Para chegar ao bairro onde moram, o Jardim Nicéia, cruzaram a rodovia, quando foram atingidos pelo veículo. Segundo o comandante do Policiamento Militar Rodoviário em Bauru, o tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, o inquérito instaurado pela Polícia Civil vai apurar as causas do acidente, inclusive se o veículo estava em alta velocidade. O motorista, diz o policial, pode responder por crime de homicídio culposo (sem a intenção) de trânsito, já que a criança morreu.
“Ele (o motorista) nos disse que estava transitando pela rodovia, quando um outro veículo teria o ultrapassado, obrigando-o, para não bater, desviar. Foi quando atropelou a mãe e a criança. Também informou que a colisão ocorreu bem perto da linha de bordo, que divide a faixa de rolamento do acostamento”, comenta Santos. O condutor não soube dizer que tipo de veículo cometeu a infração.
Reginaldo Evangelista da Silva, parente das vítimas, disse que a família morava em Bauru fazia um mês. Foi ele quem reconheceu a mãe e o filho na estrada, pois passava pelo local casualmente.
“Eu estava indo para a casa de minha irmã quando vi o acidente. Ao me aproximar, percebi que os dois eram conhecidos. Foi quando vi que se tratavam da mulher e do filho do meu primo”, conta.
Moradores
Os moradores do Jardim Nicéia cobram a construção de uma passarela sobre a rodovia, uma promessa antiga de governos estaduais e municipais, conforme apontam. Para eles, é inevitável cruzar a estrada, principalmente para quem trabalha na região do Jardim América ou estuda, como é o caso das crianças que freqüentam a Creche Monteiro Lobato.
“É superlonge andar até o viaduto, principalmente para quem trabalha. As crianças têm que cumprir horário na creche, tanto para entrar quanto para sair. Demora muito andar até os lugares mais calmos para atravessar”, reclama a dona de casa Adriana Bueno, que ontem cruzava a Rondon com os dois sobrinhos, um de 4 e outro de 6 anos de idade.
Para a empregada doméstica Denice Porcino de Melo, o perigo é grande todos dias que têm de atravessar a pista, porém, diz ela, é a maneira mais rápida e fácil de se chegar ao outro lado da rodovia.
“Atravesso aqui todos os dias, para ir e voltar do trabalho. Tenho que olhar bem para não ser atropelada. Precisavam fazer uma passarela, porque senão vai continuar morrendo gente”, completa.
____________________
Improviso
A travessia de pedestres na rodovia Marechal Rondon, no trecho onde ocorreu o acidente, é freqüente. Para “encurtar” o caminho, os pedestres que vêm do Jardim América, Jardim Aeroporto ou do Jardim Nicéia, já que os três bairros são divididos pela rodovia, atravessam a estrada como atalho.
Tanto é freqüente esse hábito que enquanto as vítimas do acidente eram socorridas, vários moradores do Jardim Nicéia atravessavam a estrada, inclusive acompanhados por crianças. Mesmo sob orientação dos policiais militares rodoviários, os pedestres desrespeitavam as recomendações.
Para facilitar ainda mais o acesso ao bairro, os moradores derrubaram uma parte da mureta de concreto que fica ao lado da vala da rodovia. Também improvisaram uma escada de ferro, com 11 degraus e quatro metros de altura, para auxiliar o trânsito de pedestres que cruzam a rodovia.
O comandante do Policiamento Militar Rodoviário de Bauru, o tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, diz que seria mais seguro se os pedestres atravessassem a rodovia no quilômetro 337, que dá acesso à Rua das Festas, ou no quilômetro 339, que liga à avenida Nações Unidas. A passagem improvisada fica no quilômetro 338, onde ocorreu o atropelamento.
Conforme o comandante do Policiamento Militar Rodoviário, é comum os policiais da corporação retirarem a escada do local. Porém, os pedestres, em pouco tempo, a substituem.
“A liberdade de ir e vir é um direito. Não podemos constranger ou impedir que as pessoas atravessem a rodovia. Ali (no quilômetro 338) é um ponto de estacionamento de viatura, onde elas ficam nos horários críticos, porque sabemos que existe uma concentração de pessoas, que atravessam a pista, principalmente a partir das 18h”, observa o policial.
Santos também disse que não é possível as viaturas permanecerem estacionadas na rodovia em período integral, assim como não haveria veículos suficientes para ficarem em todos os pontos de travessia de pedestres.
“Hoje, o Policiamento Rodoviário trabalha na orientação de pedestres, ciclistas e motoristas. O trabalho é preventivo. No entanto, o indicado seria a construção de uma passarela ou de marginais para aliviar o fluxo de trânsito”, diz o comandante.
Ele ainda admitiu que a velocidade máxima de 100 quilômetros por hora permitida na rodovia não oferece segurança aos pedestres. Segundo ele, os condutores não diminuem a velocidade nem mesmo na frente da base da polícia, ao contrário do muitos transeuntes imaginam.