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Palocci será investigado pela PF, diz o ministro Márcio Thomaz Bastos

Folhapress
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Brasília - O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse ontem que o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci Filho será investigado pela Polícia Federal (PF) no inquérito que busca os responsáveis pela quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo.

A PF pretende ouvir Palocci antes de ele deixar Brasília, caso decida voltar para Ribeirão Preto. O petista pediu demissão do cargo anteontem, após revelação de que teria recebido em mãos os extratos bancários do caseiro. “É natural que ele (Palocci) seja investigado. Não estou dizendo isso como uma ordem que dei à PF. É uma constatação. Todo mundo que está envolvido nisso (violação do sigilo), como em outros inquéritos, vai ser investigado”, afirmou Bastos, ao participar em Brasília da solenidade em comemoração dos 62 anos da PF.

A violação do sigilo do caseiro ocorreu dentro da Caixa Econômica Federal, onde ele mantém uma conta poupança. Em depoimento à PF anteontem, o ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso disse ter pedido ao consultor da presidência do banco Ricardo Schumann um informe chamado de “pesquisa de conta” relativa a Nildo.

Trata-se de um levantamento para saber se uma pessoa tem ou não conta no banco. Em resposta ao pedido, Mattoso disse ter recebido também os extratos de Nildo. Afirmou que os levou pessoalmente a Palocci, na noite de 16 de março. Mattoso contou que, no dia seguinte, encaminhou as informações ao Banco Central e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ), diante da constatação de que haveria movimentação financeira atípica. Nesse mesmo dia, os dados bancários de Nildo foram divulgados pela revista “Época”.

O ex-presidente da Caixa será intimado novamente para prestar depoimento. Para PF, continuam nebulosas suas motivações para buscar informações sobre Nildo. Ontem, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, responsável pela investigação, pediu à Justiça autorização para acessar todos os dados constantes do computador portátil por meio do qual os dados bancários do caseiro foram obtidos.

O aparelho foi operado pelo servidor Jether Ribeiro, que em depoimento à PF disse ter apagado os registros por medo das consequências. Na noite de anteontem, Ribeiro entregou à PF uma cópia de segurança que fez da informação posteriormente apagadas. O pedido judicial dos policiais inclui o acesso também a essa cópia.

A Receita Federal ainda não está entre os alvos da PF, apesar das especulações de que poderia ter partido do órgão a informação de que haveria um aumento na movimentação bancária do caseiro.

A data do depoimento do ex-prefeito de Ribeirão Preto ainda não foi agendada porque a Polícia Civil e Ministério Público aguardavam ontem a definição de onde Palocci vai “fixar residência”. Extra-oficialmente, a polícia e promotores dizem que vão pedir a prisão de Palocci e de outras pessoas. Ele deverá ser indiciado pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e corrupção passiva.

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