Brasília - Na véspera da apresentação do relatório final, a cúpula da CPI dos Correios não havia conseguido ontem construir um acordo em torno do texto. Tanto a base aliada quanto a oposição partiram para a ofensiva e passaram o dia em reuniões definindo manobras políticas e estratégias de votação.
Como nenhum dos lados possui margem de segurança na comissão, há o risco de a radicalização impedir a aprovação de um documento conclusivo da CPI. O último nó foi a revelação, feita pela “Folha”, de uma lista com cerca de 50 novos assessores parlamentares que receberam recursos das empresas e corretoras ligadas ao “valerioduto” ou foram à agência do Banco Rural em Brasília onde o “mensalão” era distribuído.
Integrantes da oposição tentavam convencer o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), a não incluir essa listagem no relatório final, alegando que ela tiraria a credibilidade do resto do documento por não ter sido investigada pela comissão. “Não vou incriminar ninguém porque o assessor foi no Rural ou ligou dez vezes para o Marcos Valério”, disse o relator-adjunto Eduardo Paes (PSDB-RJ).
Para o governo, é melhor inviabilizar a votação de um relatório final do que ter, em ano eleitoral, um documento contundente, pedindo o indiciamento de ex-ministros do governo Lula, de caciques do PT e afirmando que o “mensalão” existiu. “Qualquer relatório que tente extrapolar os fatos vai ser polêmico. Se o interesse do relator e do presidente da CPI é ter um clima harmônico para a conclusão dos trabalhos, tem que dizer que não há comprovação que justifique os pedidos de indiciamento de algumas pessoas”, afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).
O PT já está elaborando um relatório paralelo para ser apresentado caso seus pleitos não sejam atendidos pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O documento está sendo feito pela assessoria do PT e coordenado pelo deputado Maurício Rands (PT-PE), que é relator-adjunto. Até sábado Serraglio havia acatado proposta petista de fazer uma gradação no capítulo que trata dos pedidos de indiciamento.
Dessa forma, nomes como o dos ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) seriam colocados em uma categoria intermediária, que listaria indícios de crimes mas, diante da suposta ausência de provas, não pediria o indiciamentos deles.