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Pesquisa sobre intolerância envolve alunos de três escolas

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

Durante três anos, a partir deste ano, alunos do ensino médio de Bauru serão alvo de trabalho sobre a diversidade e a intolerância. Trata-se do projeto “Convivência na Diversidade – atuando contra intolerâncias, preconceitos e desigualdades”. O projeto foi proposto pelo Núcleo pela Tolerância do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, na qualidade de parceiro do Laboratório de Estudos da Intolerância, no projeto “inTolerância” aprovado no Programa “Instituto do Milênio”, do CNPq.

De acordo com o projeto, coordenado pelo professor Dr. Clodoaldo Meneguello Cardoso, pensar com radicalidade a convivência humana na diversidade implica articulá-la constantemente com a enorme desigualdade social que exclui a maior parte da humanidade das conquistas do desenvolvimento científico e tecnológico dos últimos 500 anos da história.

Ainda no texto do projeto, em sua justificativa, mostra-se que de um lado, impera a abundância, o consumo do supérfluo e o desperdício como características das sociedades ou grupos sociais que detêm o poder num mundo dominado por uma economia cada vez mais liberal. De outro lado, a fome e a miséria, conseqüência histórica dos diversos processos de dominação, colonização e exploração entre os povos, ainda é causa da maior parte das doenças que matam milhares de crianças e idosos no mundo todo.

Para o colóquio Diversidade, Desigualdade e (in)Tolerância, primeira atividade do Convivência e Diversidade, realizado na quarta-feira passada, esteve presente a diretora executiva do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância da Universidade de São Paulo (USP) e vice-coordenadora do Programa Instituto do Milênio do CNPq, Zilda Iokoi.

Antes de sua palestra, ela conversou com o JC. Iokoi abordou as origens da intolerância na sociedade brasileira a partir de três momentos da história: o período colonial, final do século XVIII e início do século XIX e a independência do País.

Em todos estes momentos, procura-se “esconder a diversidade, para homogeneizar. Homogeneização essa que é feita exclusivamente pela violência (...) Em todos os momentos em que a diversidade aparece, emprega-se a violência em nome da tolerância”, explica Iokoi.

Saiba mais

O “Convivência na Diversidade” compreende um conjunto de atividades de extensão universitária de caráter multi e interdisciplinar, articulado com pesquisa e ensino em diversas áreas do conhecimento, visando a compreensão, caracterização e atuação diante de intolerâncias, preconceitos, discriminações que ocorrem, em especial entre os jovens.

O projeto deverá estimular, entre este público, reflexões sobre o sentido da tolerância e da convivência democrática e solidária na diversidade de posicionamentos diante de questões sociais, culturais, étnico-raciais, religiosas, de gênero, de sexualidade e outras.

O tratamento da diversidade, de acordo com o texto do projeto, terá como pano de fundo as desigualdades sociais do Brasil, conseqüência histórica de um modelo político-econômico interno e externo de dominação e exploração.

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