Política

Greve tenta parar lixo e saúde hoje

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) entra no segundo dia de greve em Bauru concentrando a mobilização nos serviços de coleta de lixo e saúde. A estratégia é dar fôlego ao movimento a partir de setores que dão visibilidade junto à comunidade, embora a entidade antecipe que vai assegurar a exigência legal de manter pelo menos 30% da estrutura em funcionamento nesses setores. Ontem, Executivo e sindicato sentaram para discutir proposta salarial, mas sem avanços.

A administração municipal se prepara para impedir que a paralisação afete principalmente os serviços essenciais, como aconteceu em anos anteriores, sobretudo no setor de coleta domiciliar de lixo. O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Renato Purini, adiantou ontem que sua assessora jurídica já prepara medida para garantir o acesso de funcionários às ruas. “Se houver movimento com tentativa de impedir que funcionários que não aderiram à greve trabalhem, como já aconteceu, nós entramos com mandado de segurança para garantir os serviços, que são essenciais para a comunidade”, antecipa.

O primeiro dia de paralisações, ontem, gerou menos de 3% de adesão, com concentração no setor de educação (leia mais nesta página). O governo destacou a baixa participação na greve e o sindicato comemorou o resultado. “Nós esperamos que o servidor continue tendo o bom senso demonstrado hoje, indicando com a baixa adesão ao movimento que entendeu que a administração está oferecendo o que é possível, suportável para a cidade”, defendeu o chefe de Gabinete do prefeito, Paulo Sérgio Canalli.

De sua parte, a sindicalista Idelma Corral espera ampliação da participação dos servidores. “Para o início de greve a mobilização de hoje foi positiva. Agora vamos começar a percorrer os setores e a coleta de lixo e os postos de saúde vão entrar na greve, reforçando a mobilização contra o aumento ridículo que o prefeito ofereceu. O servidor está atento”, reage.

Sem acordo

No final da tarde de ontem, Paulo Canalli e o secretário municipal de Administração, Fernando Ferreira Jorge, sentaram-se com a direção do sindicato para ouvir, oficialmente, a proposta de reajuste com base na reposição da inflação, em 5,03%, mais R$ 50,00 de abono e outros R$ 50,00 incorporados.

A proposta, segundo o governo, é o limite a ser apresentado. “Ouvimos finalmente a proposta, ridícula para uma categoria que tem piso de R$ 304,00. E nem se fala em aumento do vale-compra e reposição das perdas em 30%, além de outros 47% acumulados nos últimos anos que aceitamos diluir ao longo deste mandato. A greve continua”, disse Corral.

Hoje, a partir das 8h, a entidade reúne os servidores em assembléia na sede, no Centro, para deliberar sobre os próximos passos da mobilização. O Executivo diz que é impossível atender à reivindicação apresentada. “Sem contar os 47%, somente os 30% de reposição e o aumento do vale-compra para R$ 200,00 elevaria o gasto com o funcionalismo para 60% da receita, contando plano de saúde, previdência e outros benefícios. Não há espaço para discutir essa proposta”, reafirma Canalli.

Da reunião de ontem, ficou em aberto apenas a possibilidade do governo não descontar pelos dias parados se a greve não se estender por muito tempo. O sindicato vai iniciar visita aos locais de trabalho divulgando as perdas salariais. O Executivo, por sua vez, aponta que a proposta formalizada ontem representa aumento no piso salarial de 14% a 19% para 76% dos servidores, ou 4.317 pessoas.

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