Polícia

Imóveis vazios são alvos de ladrões

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Os furtos a casas que estão para alugar ou vender têm sido freqüentes em Bauru. A constatação é do setor imobiliário e de empresas especializadas em segurança domiciliar. Cada corretora tem registrado pelo menos um furto por mês em imóveis fechados.

Os ladrões aproveitam a ausência de pessoas, principalmente à noite e aos finais de semana, para retirar pias, fios elétricos, boxe de banheiro, portas, janelas e até azulejos.

Fios elétricos lideram a preferência de quem pratica esse tipo de ação. O metro do produto nos estabelecimentos especializados custa, em geral, mais de R$ 4,00.

Muitas casas, conforme relatam corretores de imóveis, chegam a ficar sem toda a fiação elétrica. Outros acessórios, como louças sanitárias, pias de cozinha e até placas de alumínio dos boxes de banheiro, também são alvos dos infratores.

Em média, o prejuízo dos furtos para os donos dos imóveis fica entre R$ 500,00 e R$ 1 mil. Na maioria das vezes, os casos não são levados ao conhecimento da polícia porque os proprietários não acreditam que os produtos sejam recuperados.

De acordo com Paula Marques de Moraes, recepcionista de uma imobiliária em Bauru, a corretora registra furto contra pelo menos uma residência por mês. O prejuízo para os locatários, contabiliza ela, é de, no mínimo, R$ 500,00, entre reposição de material e mão-de-obra.

“Além de levarem toda a fiação, furtam as torneiras, lâmpadas, fechaduras, pias e nem os hidrômetros escapam”, conta Moraes. Segundo ela, as casas mais prejudicadas pelos furtos são as que ficam localizadas em bairros distantes do Centro da cidade.

Renato Lima, empresário do ramo imobiliário em Bauru, reitera a situação. Ele diz que são constantes os furtos aos domicílios disponíveis para locação. Todo mês, o problema ocorre com algum cliente. Semana passada, lembrou ele, além de terem levado a fiação de uma residência na Vila Alto Paraíso, retiraram o interfone, o motor automático do portão e as placas de alumínio do boxe sanitário.

O dono da casa teve de arcar com mais de R$ 600,00 só com a reposição de fios elétricos. “Os ladrões procuram casas vulneráveis, as que ficam em esquina inclusive. E esse tipo de ação ocorre em toda a cidade. Sempre orientamos a pessoa a adotar algum sistema de segurança, como o de cerca elétrica. Avisamos antes para depois não virem as surpresas. Também procuramos evitar um pouco as placas de ‘aluga-se’, que podem servir como um alerta aos assaltantes”, destaca Lima.

Como precaução aos assaltos, os donos de imóveis estão adotando medidas preventivas, como a instalação de cerca elétrica ao redor das residências e a contratação de vigilantes.

Ivone Souza Genaro, encarregada financeira de uma corretora de imóveis em Bauru, diz que a empresa conseguiu diminuir o número de furtos às casas para alugar desde o começo do ano. Segundo ela, as placas de aviso de locação foram retiradas de todas as casas sob a responsabilidade da empresa. De janeiro a março, apenas duas foram invadidas por ladrões, número que foi bem maior nos últimos meses do ano passado.

“Hoje, optamos por anunciar a locação ou a venda apenas nos jornais e no nosso site. Foi a solução que encontramos, porque, em 2005, chegaram a levar até as portas de uma casa e o relógio de luz, além, é claro, da fiação. As placas denunciam a não-existência de pessoas na casa”, observa Genaro.

O eletricista Ivaltino Pereira do Nascimento diz que a procura por serviços de recuperação e recolocação de fiação em residências tem crescido consideravelmente nos últimos meses. Há 30 dias, por exemplo, ele reinstalou a fiação elétrica de uma casa na avenida Nossa Senhora de Fátima, que estava disponível para locação.

“O dono gastou R$ 500,00 de material e mais R$ 600,00 de mão-de-obra. Amigos meus, que também trabalham como eletricista, têm atendido muito serviço desse tipo nos últimos tempos”, destaca.

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Segurança

Além dos ladrões, quem também ganha com a onda de furtos a residências são os vigilantes. De acordo com Waldemar Strongren, diretor comercial de uma empresa de segurança de Bauru, os proprietários de imóveis para aluguel estão recorrendo à contratação de vigilantes ou vigias, principalmente no período da noite e aos finais de semana.

O custo de um profissional que presta esse tipo de serviço varia entre R$ 70,00 e R$ 100,00, a cada 12 horas trabalhadas.

“A procura por esses seguranças cresceu consideravelmente nos últimos meses. Não sei precisar em números, mas a demanda está grande, de fato. Hoje, os ladrões só não estão derrubando as paredes, do resto, fazem de tudo nos imóveis vazios”, completa Strongren.

O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, Silberto Sevilha Martins, revela que ainda não tem nenhum levantamento sobre o número de residências que sofrem esse tipo de ação dos ladrões. Segundo ele, a estatística deve ser providenciada assim que os trabalhos de investigação a roubos de carros terminarem. Medidas para minimizar essas ações também serão tomadas.

“Os furtos contra residências não são prioridade no momento, já que não trazem uma sensação de insegurança maior que a de roubo de veículos”, explica Martins.

No entanto, o delegado orienta que as pessoas comuniquem a polícia em situações de suspeita ou mesmo após o furto. Algumas medidas de segurança, como reforçar as fechaduras dos imóveis e contar com o apoio de vizinhos na fiscalização das casas, também são importantes para inibir essas ações, ressalta Martins.

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