Internacional

Milhares voltam a se mobilizar na França

Folhapress
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Paris - As manifestações de protesto na França contra a lei do primeiro emprego mantiveram ontem o fôlego já demonstrado na terça-feira da semana passada. Os sindicatos afirmam que 3 milhões de pessoas saíram às ruas em 39 outras cidades. Para o Ministério do Interior elas foram 1,028 milhão, das quais 84 mil em Paris. São números equivalentes, nas duas estimativas, aos anunciados para as passeatas de oito dias atrás.

De qualquer modo, a quinta “jornada de protestos” manteve o governo mais uma vez na defensiva. Com o primeiro-ministro Dominique de Villepin enfraquecido pela crise, será Bernard Accoyer, líder da bancada do partido governista na Assembléia Nacional, que se encontrará amanhã separadamente com os líderes das confederações sindicais. A pró-comunista CGT, a pró-socialista CFDT e a CFTC, ligada a organizações católicas, reiteraram que não pretendem propor emendas à legislação contestada. Querem que ela seja pura e simplesmente arquivada.

Em seu balanço, o governo constata um ligeiro recuo das greves no setor público com relação à semana anterior. Os ferroviários que não trabalharam diminuíram de 27% a 18%, o que permitiu manter o tráfego de dois terços dos trens de alta velocidade. Os transportes urbanos foram pouco afetados em 32 cidades, contra 76 em que houve alguma mobilização no dia 28. Em Paris as linhas de metrô funcionaram de modo quase normal.

Bernard Thibault, secretário-geral da CGT, disse que a participação menor no setor público foi compensada por um número maior de grevistas no setor privado. Não há, porém, levantamento que confirme sua avaliação. Desde o início sem o controle dos protestos, as associações estudantis foram às ruas sob liderança cobertura dos sindicatos.

No início da noite de anteontem, as edições eletrônicas do “Le Monde”, do “Libération” e do “Figaro”, os três grandes jornais franceses, não mencionavam sequer uma vez a Unef, que é o principal sindicato universitário. Com o reforço dos dispositivos de segurança das próprias confederações, foram bastante raros, desta vez, os atos de vandalismo cometidos por uma estranha coalizão de anarquistas e grupos do crime organizado, que arrebentam vitrinas para roubar lojas, restaurantes e supermercados.

O único confronto em Paris, já no momento da dispersão, ocorreu na praça da Itália. No início da noite, contavam-se nove feridos e 208 pessoas interpeladas ou presas pelo CRS, a polícia militar.

O presidente Jacques Chirac, que no domingo promulgou a lei do primeiro emprego mas determinou que ela não fosse aplicada enquanto o Parlamento a “aperfeiçoasse”, manteve-se ontem discreto no palácio presidencial do Elysée. Não deu declarações.

O primeiro-ministro Villepin foi sabatinado no plenário da Assembléia Nacional. O líder da bancada socialista, Jean-Marc Ayrault, afirmou, com sarcasmo: “Vivemos uma crise grave do regime, e ainda por cima temos dois primeiros-ministros”. Ele se referia a Villepin e ao ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, que é também presidente do partido majoritário, a UMP. São os seus parlamentares que negociam uma saída honrosa para pôr fim ao conflito político. Outra má notícia para Villepin foi a pesquisa a ser publicada hoje pela revista “L’Express”, segundo a qual 45% dos franceses querem que ele se demita. Sua taxa de aprovação caiu 14 pontos desde a pesquisa anterior, em fevereiro.

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