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Choque acaba com motim na Febem

Por Simone Harnik, André Camarante e Rachel Añon | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A unidade da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) do Tatuapé, a maior do Estado e cuja desativação se arrasta por anos, enfrentou a primeira rebelião da gestão Cláudio Lembo (PFL). O motim - iniciado na noite de anteontem e que só foi controlada com a ação da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) às 16h30 de ontem - deixou um saldo de 44 funcionários e 18 adolescentes feridos.

Os prejuízos causados pela destruição ainda não foram contabilizados. Cerca de 40 funcionários foram mantidos reféns. Um deles foi operado após ter fraturado o tornozelo quando pulou do telhado de uma das unidades. A rebelião atingiu 7 das 16 unidades em que, até a noite de ontem, estavam 1.228 adolescentes.

A Febem afirma que os internos se rebelaram “em solidariedade” a um grupo que estava de castigo (isolados) após tentativa frustrada de fuga. Os rebelados, ainda segundo a Febem, exigiram a demissão de um dos diretores. Já as entidades de direitos humanos afirmam que o motim foi conseqüência de agressões recentes.

Durante a madrugada, os internos derrubaram muros, quebraram grades e atearam fogo nos colchões. A unidade 23, uma das menores do complexo, ficou totalmente destruída. “Lá ficou tudo queimado, tivemos de entrar e vimos tudo quente e alagado depois que o fogo foi apagado. Perdemos todo o trabalho que fazemos ali”, conta uma funcionária.

O motim ocorreu uma semana após a demolição de parte de uma das unidades do complexo. No entanto, funcionários afirmam que os adolescentes não estão sendo retirados do local, apenas remanejados dentro das unidades, que, até então, separavam os adolescentes por níveis de periculosidade e reincidência. “A gente esperava que essa rebelião fosse acontecer a qualquer momento. Estão tirando jovens do circuito médio e colocando no circuito grave”, disse uma funcionária da unidade 14, que não quis ser identificada.

Maus tratos

“Os jovens subiram ao telhado para pedir providências contra os maus-tratos”, disse Conceição Paganele, presidente da Amar (associação de familiares dos internos). O Ministério Público informou ontem que pedirá a realização de exames de corpo de delito em todos os adolescentes e funcionários envolvidos na rebelião. Imagens exibidas pela TV Record mostraram PMs agredindo jovens já rendidos.

A rebelião começou por volta das 22h de terça-feira e atingiu todo o circuito grave (menores reincidentes, infratores de 18 a 20 anos e delitos graves). A assessoria de imprensa da Febem afirma que a presidente da entidade, Berenice Gianella, pediu ao secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, que a Tropa de Choque fosse acionada.

Segundo a Febem, a PM só entrou porque não havia mais como negociar com os rebelados. Mais de 200 homens, incluindo a cavalaria, entraram no complexo. Helicópteros da polícia também foram ao local. Durante revista, a PM encontrou naifas (facas artesanais) e celulares usados pelos internos.

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‘Estréia’ de Lembo

São Paulo - O governador Cláudio Lembo (PFL) disse ontem em Jundiaí (60 km de SP) que as rebeliões nas unidades da Febem são “provocadas por agentes externos” que falam “em direitos humanos”.

“Nós temos aqui e ali sabe o quê? Temos provocação de agentes externos. É bom que fique claro isso. Toda vez que alguns agentes externos ingressam na Febem com uma idéia de que são humanos, na verdade eles estão criando atos desumanos”, disse Lembo, após ser questionado sobre a rebelião. Ele afirmou que o governo abriu sindicância para apurar os nomes dos “agentes externos” e que, depois disso, informará a Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o caso.

Ainda em referência às rebeliões na Febem, o governador disse que “não é justo que alguém que fale em direitos humanos, viole direitos humanos”.

Folhapress

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