Tribuna do Leitor

O caso do caseiro


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Bisbilhotaram a conta bancária do tal caseiro, numa gravíssima violação de direitos individuais. Todos caíram como num castelo de cartas. Bem feito, pois da forma como foi feita, punição exemplar era o mínimo que se podia exigir. Não devemos nunca exigir dos outros o que não praticamos no nosso dia-a-dia. Se exigiram isso dos adversários durante muito tempo e se hoje agem igualzinhos seus antecessores, pau neles. Além de amadores, são incompetentes. Seus antecessores, que de santo não têm nada, estão aí para não me desmentir. Fizeram e aconteceram, mas estão ilesos e agem como impolutos, verdadeiros guardiões da moralidade e dos bons costumes. Pura balela.

Isso é uma coisa. Outra coisa é o que foi divulgado, que não pode ser desprezado de forma nenhuma. Todas as vezes que abri os jornais li o estardalhaço em cima do hediondo deslize, mas pouca coisa esclarecedora sobre a grana alta que o caseiro recebeu em sua conta. Ambas as coisas precisam ser apuradas a fundo. Pintou uma história muito mal ajambrada de um pai oculto, que aparece justamente momentos antes do caseiro depor contra o ministro. Isso é a mais nova versão da estória da carochinha, versão CPI do Fim do Mundo. Tudo isso é facilmente desmontado. Existem muitos que só querem descobrir fatos obscuros de um dos lados, isentando o outro. Isso não faz bem nenhum para o país. Ou desvendamos tudo ou os que se isentarem, continuarão aprontando das suas. E isso está bem claro.

Quando nossa imprensa quer, ela chega facilmente aos culpados (isso também serve para nossa polícia), mas quando acontece ao contrário, prestamos um desserviço para a democracia. Uma vergonha desvendar quem violou o segredo bancário do caseiro e não desvendar quem depositou a grana alta em sua conta e com que interesses. Tem gato nessa tuba e isso qualquer gaiato menos esclarecido consegue enxergar.

Por fim, tem outra coisa muito perigosa, gravíssima e que pouca gente discutiu. A revista Época recebeu um documento ilegal, obtido de forma ilegal e o publicou imediatamente, obtendo um furo, mas a que preço? Dentro das ilegalidades, noto que a revista praticou um “tudo é possível”, também muito perigoso. Quando se recebe algo dessa natureza, publicar também deve ser considerado gravíssima violação de uma pá de coisas, principalmente princípios éticos e morais. Se esse advogado do caseiro for mesmo esperto, vai acionar e receber uma boa grana da revista, pois ela publicou algo fora da lei. A revista também precisa ser questionada. Deixar passar em branco é permitir que documentos obtidos dessa natureza sejam expostos repetidamente, até de forma criminosa.

Se a lei está aí, deveria ser aplicada para todos e se um dos lados ficar sem punição, ela não estará cumprindo o seu papel primordial, que é doa a quem doer, ser colocada em prática. O que nossa elite não engole é que o metalúrgico, o inculto governou o País melhor que o príncipe, o cultuado e beatificado FHC. Corrupção por corrupção não se diferem nem um pouco, mas que o País de hoje é diferente de oito anos atrás, isso qualquer um que não tenha memória curta e más intenções podem constatar.

Henrique Perazzi de Aquino - RG 9710205-2

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