Bagdá - Interrogado pela primeira vez em seu julgamento, o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein admitiu ontem ter assinado as sentenças de morte de 148 homens e meninos xiitas na cidade de Dujail, em 1982, argumentando que havia provas de que os acusados estavam por trás de um plano para assassiná-lo. Vestindo terno preto, colete da mesma cor e camisa branca sem gravata e aparentando calma, Saddam voltou a adotar o tom desafiador de outras sessões do julgamento, que já dura seis meses.
Chamou o tribunal de “ilegítimo” e devolveu as acusações, afirmando que o atual Ministério do Interior é responsável por matar e torturar milhares de iraquianos. Avisado pelo juiz Raouf Abdel-Rahman de que não deveria fazer considerações políticas, rebateu: “Não tenha medo do ministro do Interior, ele não assusta o meu cachorro”, disse Saddam, em referência ao ministro Bayan Jabr, que é suspeito de comandar esquadrões da morte.
Ao ser questionado pelo promotor Jaafar al Mousawi sobre as sentenças de morte que assinou, o ex-ditador disse que apenas exerceu um direito presidencial. “Essa é uma das tarefas do presidente. Eu poderia ter questionado o julgamento. Mas estava convencido de que a prova apresentada era suficiente para mostrar a culpa na tentativa de assassinato.” Mousawi insistiu, perguntando a Saddam como ele pôde ter avaliado 148 processos em apenas dois dias antes de assinar as ordens de execução.
Em seguida, quando o promotor mostrou carteiras de identidade de 28 executados com menos de 18 anos, Saddam alegou que eram falsificações. No julgamento em curso, iniciado em outubro de 2005, Saddam Hussein e outros sete ex-membros de seu regime são acusados da ação empreendida contra os xiitas de Dujail após uma suposta tentativa de assassiná-lo, em 8 de julho de 1982.