O segundo dia de paralisação dos servidores públicos de Bauru resultou em filas em quatro postos de saúde e no Pronto-Socorro (PS) Central. Assim como anteontem, a greve causou dificuldades pontuais, mas desta vez, principalmente, no setor da Saúde, além dos setores da educação que já haviam aderido na primeira etapa. Hoje, às 15h, a administração municipal volta a se reunir com o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm). Entretanto, não há previsão para o fim do impasse.
O sindicato adota a estratégia de setorizar a mobilização para que o movimento ganhe corpo ao longo das mobilizações. A administração protestou, ontem pela manhã, que um grupo de grevistas tentou impedir que viaturas fossem abastecidas no Departamento de Apoio Operacional (DAO), na rua Aparecida. Hoje, há previsão do movimento tentar mobilizar o setor de coleta de lixo para ampliar o foco de paralisações.
Ontem, além do Núcleo de Saúde Santa Edwirges - que registrou adesão quase total dos funcionários de apoio (auxiliares de enfermagem e atendentes) -, servidores da Unidade Integrada de Atendimento Ambulatorial e Urgência (UIAAU) do Jardim Bela Vista e Núcleos de Saúde do Jardim Godoy e Gasparini também aderiram ao movimento. Neste último, três médicos em greve atenderam apenas pacientes que estavam com dor e outros cinco funcionários não foram trabalhar.
Os manifestantes apostam que 400 já aderiram ao movimento. Mas a prefeitura registrou 219 faltas ontem – o que representaria adesão de 4,4% do total de 4.900 servidores da gestão direta. Anteontem, no primeiro dia, a prefeitura contabilizou que 2,7% dos servidores haviam faltado, com cerca de 135 ocorrências.
O impasse nas negociações continua em relação às contas de cada lado. O sindicato cobra 30% de reposição já, mais incorporação do abono de R$ 100,00. A administração aponta que, somando todos os benefícios, a despesa chegaria a 86% da arrecadação da prefeitura. Segundo o governo, os 5,03% de reposição, mais R$ 50,00 de abono e R$ 50,00 incorporados, na proposta atual, já representariam 60% de gastos, isso incluindo plano de saúde, vale-transporte e outros benefícios.
Movimentação
No primeiro dia, a greve se concentrou, sobretudo, na educação. Ontem, a saúde engrossou as paralisações, ainda que parcialmente. Apesar das filas e transtornos, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretária de Saúde, José Roberto Berber, e a diretora de divisão ambulatorial, Lucila Bassi, asseguram que será cumprida a exigência legal de manter pelo menos 30% da estrutura em funcionamento nesses setores.
A partir das 8h, os primeiros grevistas começaram a se concentrar na frente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm). Os participantes do movimento percorreram os postos de trabalho para convocar mais servidores à paralisação. No PS Central, três aderiram à greve.
Uma hora antes, às 7h, a dona de casa Maria Roseli Gomes Brasil chegou ao Pronto Atendimento Infantil, no PS Central, levando seu filho de 3 anos, com febre. Às 10h30, ele não tinha sido atendido ainda. “Já estou esperando há mais de três horas. Na semana passada, fui atendida depois de uma hora e meia de espera”, diz. A diretora do Sinserm Eliana Martins afirmou que o PS Central estava atendendo apenas 30% dos casos de urgência e emergência, mas a informação foi contestada pelo diretor responsável. “Dos seis plantonistas que atendem os adultos, apenas um não compareceu. Estamos com 75% dos atendimentos normais”, afirma Berber. Já o atendimento infantil ficou mais prejudicado: dois dos quatro pediatras de plantão aderiram à greve.
Andréa Pereira também levou o filho de 3 anos, com febre, ao PS Central. Como veio de ambulância de Balbinos (aproximadamente 76 quilômetros de Bauru), chegou às 6h45. Às 10h30 também não tinha sido atendida ainda. “Está tudo desorganizado. Tem gente passando na frente. Meu filho teve febre a noite toda e não sairei daqui sem atendimento”, garantiu.
No Núcleo de Saúde Gasparini, três médicos e cinco funcionários também aderiram ao movimento. Neste posto, foram atendidos aproximadamente 50% dos pacientes – apenas os que apresentavam dor. “As consultas médicas serão remarcadas. Mas continuamos entregando medicamentos, medindo a pressão arterial e aplicando vacinas”, disse a enfermeira responsável pela unidade, Adriana Aparecida dos Santos.
O aposentado Euclides Ribeiro também precisou esperar para ser atendido. “Estou com problema na perna esquerda. Tenho dificuldades para andar”, contou.
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Paralisação
Exatas seis creches e duas escolas de educação infantil tiveram paralisação total dos funcionários, ontem. Nas demais unidades, as atividades foram mantidas, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura.
Desde segunda-feira, a doméstica Maria Aparecida Muniz da Silva, moradora da Pousada da Esperança I, não tem onde deixar seu filho de 3 anos, matriculado na Emeii Maria de Fátima Lima. “Estou pagando uma pessoa para cuidar do meu filho, mas amanhã (hoje), por exemplo, vou ter que faltar no emprego porque essa pessoa não estará disponível”, desabafa.
Anteontem, as mães se reuniram em frente à creche para tentar reabrir os portões. Ontem, foram informadas pela diretora que, assim que a instituição reabrir, serão avisadas por telefone. “Acho um descaso. É uma tentativa de não causar tumulto com as mães que estão desesperadas”, afirma Silva.