Regional

MST reforça combate à dengue em Lins

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Lins - O trabalho de combate à dengue em Lins (100 quilômetros de Bauru) receberá o reforço de 50 trabalhadores rurais sem-terra que estão acampados às margens de uma estrada vicinal, entre Sabino e Guaiçara. Eles se ofereceram para participar voluntariamente do serviço de limpeza de terrenos e do trabalho de conscientização dos moradores.

Depois de viver uma epidemia da doença em 2002, quando foram registrados 514 casos, Lins conseguiu controlar a proliferação do mosquito Aedes aegypti nos anos seguintes, mas este ano eles voltaram a atacar e já preocupam as autoridades sanitárias do município.

Segundo informou a diretora da Vigilância Epidemiológica, Carmem Lúcia Budoia, desde o início do ano já foram confirmados 190 novos casos de dengue. O número pode aumentar nos próximos dias, já que existem 113 exames ainda em fase de análise. No ano passado, foram confirmados apenas sete casos na cidade.

A diretora disse ontem que ficou sabendo do interesse dos sem-terra em ajudar no trabalho de combate ao mosquito transmissor da doença. Segundo ela, uma reunião deve ser feita ainda esta semana para definir de que forma o grupo poderá colaborar. “Precisamos aproveitar essa ocasião porque não é sempre que um grupo se oferece voluntariamente para ajudar”, disse Carmem.

Recentemente, a prefeitura contratou em caráter emergencial 20 pessoas para auxiliar a Vigilância Epidemiológica no combate ao mosquito. Ao todo, existem cerca de 45 agentes atuando na cidade. Com a ajuda dos sem-terra, esse “exército” mais do que dobra.

Os voluntários fazem parte do acampamento Simão Bolívar, instalado às margens de uma estrada vicinal que liga Sabino ao bairro rural Camponesa, em Guaiçara. No local, existem aproximadamente 274 famílias, segundo Laércio Barbosa, um dos integrantes do acampamento e membro da direção estadual do MST. Segundo ele, o acampamento existe desde novembro do ano passado.

Barbosa disse ao JC que o grupo decidiu ajudar independentemente da vontade da Vigilância Epidemiológica de Lins. Segundo ele, a intenção do grupo é iniciar um “arrastão” por conta própria, limpando terrenos onde o mato esteja alto, recolhendo objetos que possam armazenar a água da chuva e posteriormente servir de criadouro do mosquito e até mesmo batendo de porta em porta orientando os moradores.

Invasão

De acordo com o diretor do MST, o grupo vai “invadir” a cidade na próxima segunda-feira. Segundo ele, todos estarão devidamente uniformizados. “Nossas ações, às vezes, são mal interpretadas, mas elas sempre visam uma melhor qualidade de vida para a população, seja no campo ou na cidade”, afirma Barbosa.

Entre os 50 voluntários estão homens, mulheres e jovens. Antes de se colocarem à disposição para ajudar no combate à dengue em Lins, o grupo já atuou voluntariamente na reforma de uma escola de Guaiçara, cidade distante apenas 4 quilômetros de Lins.

“A função do MST não é apenas ocupar a terra, temos também uma preocupação social”, prega Barbosa, que dá uma dica de qual poderá ser o próximo passo do grupo. “Temos também a leishmaniose que está preocupando a região.”

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