• Postura inaceitável
A Câmara tem tido uma postura combativa, vigilante e equilibrada. Porém, às vezes há excessos inaceitáveis de alguns. Nos últimos dias, a Comisão de Justiça fez uma emenda (já aprovada) no projeto de lei (também aprovado) enviado pela prefeitura para estabelecer o valor do vale-refeição a ser implantado e faixas de salário para efeito do recebimento do benefício. A emenda aumentou o total de servidores que deveriam receber o vale. Ocorre que qualquer vereador sabe que a Câmara não pode legislar sobre matéria que trata de benefícios a servidores.
• Com responsabilidade
O JC revela na edição de hoje que o prefeito vetou totalmente o que a Câmara aprovou. É provável que o Legislativo derrube o veto. Este, por sua vez, vai à Justiça e, certamente, ganhará mais uma ação contra a Câmara, alegando inconstitucionalidade. Resultado: desgaste do Poder Legislativo e atraso na solução do problema, com prejuízo aos servidores que necessitam da alimentação. A oposição, mais do que necessária, é um imperativo da democracia. Porém, com responsabilidade.
• “Facada nas costas”
A decisão do governo municipal de ganhar tempo com o Sindicato dos Servidores (Sinserm) gerou o efeito de paralisar, por ora, o movimento, através de liminar, mas pode provocar conseqüência perigosa na relação institucional com os representantes da categoria. Servidores deixaram a assembléia, ontem à tarde, revoltados e acusando o governo Tuga Angerami de “traidor” e de ter dado uma “facada nas costas” de todos.
• Estratégia do impasse
O governo adiou, deliberadamente, a reunião de sexta-feira com o sindicato dizendo que estaria fazendo cálculos em relação à negociação salarial. Mas, na verdade, o Executivo estava indo ao Judiciário, secretamente. Ontem ficou mais latente ainda a estratégia de ganhar tempo. A reunião das 11 horas foi transferida, no último momento, para as 16 horas. Era o tempo que o governo queria para um Oficial de Justiça “presentear” o sindicato com a decisão liminar que pára a greve e joga a situação no impasse.
• Apoio tardio à greve
Ainda sem saber da manobra da prefeitura para acabar com a greve dos servidores, as diretoras do Sinserm foram à Câmara Municipal em busca de apoio dos vereadores. Conseguiram algumas palavras de solidariedade, inclusive de vereadores governistas, mas, como constataram depois, não adiantou muito.
• Dispensas dobradas
O vereador João Parreira (PSDB) atacou quem ele chama de “irmãs cajazeiras” na sessão de ontem, referindo-se às diretoras do Sindicato dos Servidores. O tucano critica a reivindicação das mesmas para que o Sinserm dobre a dispensa de servidores para atuar no sindicato das atuais quatro para oito representações. “Quatro já é muito. Para quê? Para as irmãs cajazeiras ficarem brincando de sindicato, sem dar aulas para as crianças?”, bateu Parreira.
• Representatividade
Parreira também questionou porque só servidores da Educação fazem parte da diretoria do sindicato. Para ele, servidores de outras pastas deveriam prestar serviço, até para aumentar a representatividade no Sinserm.